Certa madrugada fria irei de cabelos soltos ver como crescem os lírios. Quero saber como crescem simples, belos e perfeitos!Ao abandono nos campos...

sábado, dezembro 29, 2007

A beleza de uma mulher!!!!




Para ter lábios atraentes, diga palavras doces.



Para ter olhos belos, procure ver o lado bom das pessoas.



Para ter um corpo esguio, divida sua comida com os famintos.



Para ter cabelos bonitos, deixe uma criança passar seus dedos por eles pelo menos uma vez por dia.



Para ter boa postura, caminhe com a certeza de que nunca andará sozinho.


Pessoas, muito mais que coisas, devem ser restauradas, revividas, resgatadas e redimidas; jamais jogue alguém fora.



Lembre-se que, se alguma vez precisar de uma mão amiga,
você a encontrará no final do seu braço. Ao ficarmos mais velhos, descobrimos porque temos duas mãos, uma para ajudar a nós mesmos, a outra para ajudar o próximo.


A beleza de uma mulher não está nas roupas que ela veste, nem no corpo que ela carrega, ou na forma como penteia o cabelo. A beleza de uma mulher deve ser vista nos seus olhos, porque esta é a porta para seu coração, o lugar onde o amor reside.



A beleza de uma mulher não está na expressão facial, mas a verdadeira beleza de uma mulher está refletida em sua alma. Está no carinho que ela amorosamente dá, na paixão que ela demonstra.


A beleza de uma mulher cresce com o passar dos anos.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Descoberta!


Uma música romântica...

Nós dois...

E o amor!

Noite de luar,

Com cheiro a perfume de madrugada!

Transpiras sensualidade...

A camisola, meio aberta

dá-me uma amostra da tua masculinidade...

Não te consigo resistir!

Dispo-a... e tu, com sorriso maroto, deixas-te levar...

Cai, no chão o primeiro obstáculo...

Desnudo-te...

toco-te...

Invado os teus caminhos, invento trilhas, e descubro o teu prazer!

Sinto-te!

Brinco com os teus pêlos,

primeiro com alguma timidez...

depois, mais ousada...

Minhas mãos exploram-te

Provoco-te...

Ficas extasiado!

Brinco com os teus cabelos,

beijo a tua boca, o teu rosto

Acaricio o teu pescoço, tuas costas, e pouso os meus lábios no teu peito,

e pouco a pouco, vou te deixando louco!

Encho-te de desejo...

Levo-te ao delirio...

Teu corpo incendia-se com o meu,

e eu descubro-te!

Possuo-te!

Agora já não és um menino...

És um homem! E tão somente meu!...

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Sonho


Ah... Como eu queria ter uma máquina do tempo....

Aquelas que nos levam, a uma qualquer época do nosso passado...

Nem que fosse, por um dia, eu voltaria aos meus 17 anos, e ao último Natal, passado na cidade de todos os sonhos....

Paris!

Voltaria a percorrer as ruelas mais escondidas, sentir de novo o cheiro doce a flores e perfumes, que não senti em mais lugar nenhum do mundo, onde em cada esquina, pintores de rua, pincelam na tela branca os seus sonhos, em forma de paisagens ou rostos de turistas, na esperança de um dia, alguém lhes dar o devido valor!

Naquela época, como eu gostava de me sentar perto deles, e perdia a noção do tempo, vendo as telas tomarem vida... os pincéis e os dedos, trabalhavam numa harmonia perfeita.

Voltaria a percorrer a avenida dos Champs- Élysées, onde em cada vitrine dos ateliers dos grandes costureiros, eu sonhava, com o dia em que pudesse comprar um daqueles vestidos lindos...

Voltaria a encontrar o meu primeiro amor...

E, a minha primeira desilusão, ( das muitas que estaríam para vir)...

Sentar-me-ía de novo, na nossa mesa da sala, para a ceia de Natal, com toda a familia, onde o meu pai, ainda estaría presente...

(Feliz Natal pai, onde quer que estejas...)

No fim da noite, antes de voltar, olharia para a minha cidade, pela última vez...

Há magia naquelas luzes, que nos hipnotiza, desde o primeiro momento, e nos deixa apaixonados pelo resto da vida!

Antes de regressar ao presente, ainda olharia, para aquela sala, onde na noite de Natal, de há uns anos atrás, foi decidida a minha vida, que a mudaria para sempre... ir viver para outro país... abandonar todos os meus sonhos... as minhas ilusões...

Nunca vou saber, como seria a minha vida, se aquela noite, não tivesse existido.

E, voltei ao presente!... acabou o sonho!!!


terça-feira, dezembro 18, 2007

Vida



Toma a tua vida em tuas mãos.

E não a entregues a ninguém.

Por mais que te amem, por mais que desejem o teu bem estar, só tu és capaz de saber o que realmente sentes.

E a impressão que passas para os outros, nem sempre corresponde ao que te vai na sua alma. Quantas vezes já sorriste, para disfarçar uma lágrima teimosa?

Quantas vezes quiseste gritar e sufocaste o pranto?

Quantas vezes quiseste sair correndo de algum lugar, e ficaste por educação, respeito ou medo? Quantas vezes tudo o que desejas-te era apenas um abraço.

Um consolo, uma palavra amiga e só recebeste ingratidão?

Quantos passos foram necessários para chegar até onde chegaste?

Criticar é fácil, mas usar o teu sapato ninguém quer, vestir as tuas dores ninguém quer, saber dos teus problemas, só se for por curiosidade.

Por isso, não entregues a tua vida nas mãos de ninguém, nada de acreditares que sem essa ou aquela pessoa, tu não vais viver...

Vais viver sim, o mundo continua girando e, se tu deixares, pode -te trazer algo muito melhor. Pegua o rumo da tua vida e aponta para onde a placa diz "caminho do sol!!

Na curva da felicidade, que te espera sem pressa, para viver com amor e intensidade, a paz, a harmonia e a felicidade!

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Emoções!


É madrugada!

Sentada em frente ao computador, tento escrever, o que não consigo falar...

A cabeça dói-me... resultado de algumas noites sem dormir.

Os dedos tremem... Numa desobidiência total!

Estou a ser invadida por um turbilhão de emoções, e tenho a sensação que sou um barco, abandonado no mar, numa noite de tempestade.

Sou eu que estou ao leme, devia ser eu a controlá-lo, mas sinto-me impotente, cansada e resolvo deixá-lo entregue á sua sorte.

Inteiro, ou aos bocados, eu sei que ele vai ter a terra firme... Já aconteceram outras vezes!

E, eu, sempre tenho a disposição de o voltar a construir, e lançá-lo ao mar novamente.

Mas, hoje decidi que não!

Estou confusa, triste, mas com a absoluta certeza que desta vez, vou mesmo deixá-lo afundar.

Não vou apanhar os pedaços e voltar a construí-lo...

Não!

Estou cansada demais!

Sinto-me tão só!!!!

As lágrimas começam a cair, uma após a outra, e vão aquecendo o meu rosto, até desaparecerem no meu regaço.

Suplico ao meu cérebro, que me ajude a colocar ordem nas emoções, mas, até ele, que sempre foi tão competente, e que nunca me desiludiu, está com dificuldade em controlar o coração...

Estes dois orgãos nunca se deram muito bem... (opiniões divergentes).

O coração, sempre romântico e pouco responsável, sempre me levou a cometer erros, dos quais, alguns me arrependo... outros nem foram erros, apenas devaneios!

Durante anos deixei que fosse ele a comandar a minha vida...

Mostrou-se um péssimo lider!

Há uns anos, retirei-lhe o poder, e entreguei essa tarefa ao cérebro, que mostrou ser um excelente conselheiro, muito coerente um pouco frio ás vezes, mas nunca me deixou ficar mal.

Quanto ao coração, abandonei-o, entrou em hibernação!

Agora, deparo-me com ele a querer acordar, e a entrar em "guerra" com o cérebro, e tudo isto me deixa....

Paralisada!

Confusa!

Triste!

Fragilizada!

Sem saber, a quem entrego o poder de decidir a minha vida.

Interiormente estou em plena "guerra civil"!!!!

Nunca falo o que sinto!

Porque tenho medo, que seja o coração a falar por mim... Engulo as palavras, que queria gritar!

Tento escrevê-las, mas baralho tudo, ninguém as entende...

" O que vale, é que este blog, é quase como um diário, quase ninguém o lê!"



ps: Isto é um texto de ficção, qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência!


ou


ps: Isto é um texto real, qualquer semelhança com a ficção, não é coincidência!


..... eu bem disse que estava confusa!!!!!!!!!!!!!!

terça-feira, dezembro 04, 2007

Iha do Sal

Nesta pequena ilha, onde diziam, que eu não ía encontrar nada...
Eu descobri, um pequeno paraíso, cheio de gente linda e simpática, com uma hospitalidade franca...
O mar turquesa, contrasta com os campos áridos, estéreis...
A vegetação é nula, a população é pobre, mas o sorriso é cativante!
Apaixonei-me, por este povo, e notei que os portugueses agora no séc 21, é que descobriram este arquipélago!
O mar, convida-me a entrar nele, e a temperatura da água, é divina!
O sol, vem visitar-me todos os dias, estou a recuperar energia para os dias de Inverno que me esperam em Portugal.
A noite é sempre animada, com música e danças todas a noites, estou a aprender a dançar o "FUNANÁ" dança tipica daqui, não sei se estou a conseguir, mas esforço-me...
Ando cansada, mas feliz!
Não sei se muita gente vem ler o meu blog... mas gostava de saber quem.
Por favor deixem um pequeno coment....

quarta-feira, novembro 28, 2007

Não te quero ver triste!!


Após um tempo ausente, perdida entre muralhas e planaltos esquecidos...eis que volto ao lar, ao local mais recôndito de mim mesma,...ao único sitio em que sinto verdadeiramente vontade para escrever!
Passa o tempo, passa a vida, apenas as amizades não são esquecidas!
Para ti:
Perdão se nem sempre te lembro que estou presente, perdão se nem sempre te agradeço o quão importante és para mim (sempre o foste), perdão por algo que não fiz e perdão por algo que tenha feito!
Tu, e só tu sabes quem és, a cada dia que passa me mostras que existem coisas que não mudam, que não passam, que pequenas coisas como o simples sorriso de uma criança se podem prolongar para toda a vida!
Mesmo estando longe, consegues ser a pessoa mais próxima de mim, porque por mais perto que estejamos uns dos outros...dificilmente conseguimos desvendar a essência de cada um que nos rodeia...e tu...minha amiga...consegues ler nos meus olhos aquilo que um Mundo não consegue entender por palavras!
Obrigado por aquilo que és, por aquilo que foste e por aquilo que a cada dia que passa lutas por ser!
Não te quero ver triste, não te quero ver sofrer...a vida é um labirinto...antes de encontrares a tua saída irás esbarrar contra muitas paredes...agora só tens de te erguer bem alto, ter coragem para voltar para trás e tentar tudo de novo...tenho a certeza que vais conseguir!
De alguém que não se esquece de ti =) Adoro-te!

terça-feira, novembro 27, 2007

Fugir...


Quero FUGIR!!!
Fugir de um sentimento que me desfoca o pensar....fugir de gente que inocentemente me está a atormentar...fugir da monotonia da minha circunstância e procurar a marginalidade da minha velha infância!
Vou fugir!!! Procurar um lugar...um lugar onde possa ser eu....um lugar onde possa ser eu sozinha....um lugar onde sozinha eu sinta que o "Eu" chega!
Vou partir por um caminho, sem sentido, onde apenas a vontade interfira na minha decisão e onde apenas a liberdade do meu coração possa vir a trazer qualquer tipo de razão!
Vou fugir....vou correr pelo ar, saltar, vou perfurar uma terra, sentir uma atmosfera, vou esbarrar...esbarrar contra o vento e morrer por dentro! Vou levitar e olhar para baixo....vou ver gente com tudo, gente sem nada e vou ver gente com tudo que contudo não é nada!
Vou para casa...decidi...vou reviver um passado que recentemente apenas tenho sonhado...vou pegar nas várias mãos que me acolherão e vou beijá-las...uma a uma...porque em cada mão deixei um dia aberto o meu coração!

terça-feira, novembro 20, 2007

Desilusão...


Sinto-me traída, frustada, enganada, triste... e vazia de sentimentos!

Sem ter dado conta, fechei-me por dentro...

E, até as lágrimas, que antes afloravam, por um simples poema de amor... secaram!

Entre uma e outra desilusão, fechei as portas do coração.

E... perdi a chave...

Estará definitivamente perdida???

Ou será que está escondida, algures entre o trilho do amor e o trilho da amizade, o espaço que os separa é tão pequeno... que não deve ser dificil encontrá-la.

A qualquer momento, pode ser encontrada, atrás de um poema, por baixo de uma frase de amizade, ou mesmo escondida no meio do desejo... ( saltitante entre a amizade e o amor)!

Se alguém a encontrar, por favor, não a utilize de imediato...

Guarde-a num local especial... e pondere... se quer realmente abrir a porta, há tanto tempo fechada.

Pense qual o trilho que vai percorrer...

Se escolher o caminho da amizade, estará acompanhado por todas as pessoas que amo e respeito! É uma estrada iluminada, cheia alegria e esperança...

Se resolver arriscar, e escolher o trilho do amor... prepare-se para caminhar só, numa estrada onde a escuridão tomou o lugar supremo!

E, onde o final nem sempre é o pretendido, acabam muitas vezes, por se perder, nas várias ramificações... Primeiro encontram a saída para a atracção, depois a do desejo, a seguir muitas mais equivalentes...

Como poderá alguém encontrar um local, que até por mim foi esquecido e abandonado!

O percurso pode não ser fácil, mas a recompensa, é um coração inchado de amor para dar, depois de tantos anos comprimido dentro da caixa fechada...

Depois de aberta a caixa, não é só o coração que vai soltar... são todas as outras emoções, que eu escondi, como medida de prevenção, contra "actos de vandalismo"!!

Ainda assim, tem coragem de seguir em frente??... ou dá meia volta, e percorre o trilho da amizade??

segunda-feira, novembro 19, 2007

Domingo à tarde!


Sentada, no sofá, tento ler...

O livro é de Fernando Pessoa, que eu adoro! Mas não me consigo concentrar...

Um turbilhão de pensamentos amontoa-se, como que a pedir o previlégio de ser o primeiro.

Desfolho o livro com algum desinteresse, e uma frase chama a minha atenção, a certa altura da sua narrativa, o autor diz: " Não acredito em Deus, porque nunca o vi..."!

Fiquei a pensar no assunto... e logo penso numa outra frase, esta provavelmente, muito mais conhecida, que é de Tomé, (Um dos supostos apóstolos de Jesus): " Ver para crer"!

É no minimo insólita e controversa, esta frase de Tomé...

Fiquei confusa, e resolvi sair... sem rumo, pelas ruas da cidade!

Evitei as mais movimentadas, ( não fosse encontrar alguém conhecido, e desperdiçar a minha tarde de domingo, com conversas fúteis...).

Enveredei, por ruelas, onde normalmente nunca passo, e quando dei por mim, estava parada em frente a uma igreja, (a porta estava aberta, caso raro nos dias de hoje...)

Olhei para a fachada, e para todos os pormenores arquitectónicos, havia três anjos de cada lado da ombreira, que dá a ilusão que são eles que a mantêm de pé. Estão sorrindo, como se toda aquela pedra, pesasse tanto como uma nuvem.

Senti-me tentada a entrar no templo, ( tenho de confessar que não sou muito dada a religiões, sejam elas de que natureza forem...), e entrei.

Os meus passos ecoavam pela nave principal, como que a anunciar a minha chegada, e só parei em frente ao altar!

É lindo, todo construido em talha dourada, e estava decorado com flores frescas, o cheiro das rosas, ainda pairava no ar... e no meio lá está Ela...

A imagem de uma mãe, segurando seu filho ao colo, tentando protegê-lo de tudo e de todos, ( não é o que fazemos todas??).

Concentrei-me no olhar da Mãe, e pareceu-me triste e frio... Imaginei que o artista, não estivesse muito feliz, no dia que resolveu dar cor e sentimento aquela face de pedra.

Virei-me, na direcção do seu olhar, e afinal, ela olhava, para seu filho já adulto, morto, crucificado...

Sentei-me, pensando que nem Ela tinha conseguido evitar tamanha tragédia! E por isso a dor marcava seu rosto lindo, abençoado pelo artista que lhe deu sentimentos.

Dei por mim a rezar...( Aquelas orações que toda agente conhece, mas dizem desconhecer, vá-se lá saber porquê!)...

Eu confesso!

Rezei!

Não pedi nada, como já disse, não acredito que as preces sejam atendidas... ( Ela nem conseguiu, para o seu próprio filho...)

Mas rezei!

E não consegui conter as lágrimas, deixei que rolassem, até secarem as emoções!

O sino da torre tocou... e trouxe-me de volta à realidade.

Não sei quanto tempo passou, e também não tinha a menor importância, ninguém me esperava!

Lá fora a noite caía sobre a cidade, e a passos lentos, encaminho-me para casa, sinto uma estranha sensação de paz, de alivio...

Mas o som das novas tecnologias, diz-me que alguém quer falar comigo, olho o numero no visor, e está privado...

Resolvi não atender...

Hoje não!

hoje não vou ligar a TV, e ver uma sucessão de programas disparatados, sem assunto e sem nexo!

Hoje ninguém me vai roubar, este sentimento de paz que estou sentindo...

Desligo o telemóvel, e entro em casa!

Hoje, não!!!...

segunda-feira, novembro 12, 2007

Para ti amiga!!!


Nascemos independentes da nossa vontade. Mas a vida é um encanto. E nos encanta.Os primeiros risos, as primeiras flores, os primeiros amanheceres, os primeiros anos... as primeiras descobertas. Vamos desbravando a vida e enfrentando o desconhecido maravilhados...

Então vêm os primeiros nãos... As primeiras quedas, as primeiras decepções, as primeiras lágrimas que não nos impedem, nem por isso, de ir em frente!
Mas um dia o desconhecido, o inexplicável, pode tirar nossa vontade de viver.

As perdas, as grandes, aquelas sem volta que, por mais alto e forte que gritemos, fazem-se de surdas...

E a vida perde seu sentido...

Os amanheceres e entardeceres tornam-se uma e a mesma coisa: tristes! Recusamo-nos a ver a luz do dia, o sol que brilha, a vida que palpita, os pássaros que cantam e as flores que, teimosas, continuam se abrindo em total indiferença à nossa dor.

E é preciso, nesse momento onde queremos parar mas que a vida não pára... é preciso reaprender a viver.

Não aceitamos nossas perdas irreparáveis e absurdas, mas precisamos aprender a viver com elas e apesar delas. E ver a vida com outros olhos. Talvez, reconhecer de vez nossa pequenez diante do desconhecido. E reviver...

A pequenos passos, tímidos, lentos, tal qual criança que ainda não viu nada, mas com a sabedoria dos velhos que já sabem que a vida é um poço de mistérios.
E vamos assim, não importa nossa idade, desbravando novamente a vida. Vamos sorrir novamente. Ver a luz do dia, olhar nos olhos dos que ficaram e que estiveram do nosso lado mesmo quando estivemos temporariamente cegos a tudo o mais. Ver as flores, que nunca desistiram de viver e experimentar o dia-a-dia, novos gostos dessa nova vida que se oferece a nós.Tudo pode ter um fim. Mas todo fim pode ser o início de um recomeço. E a vida continua linda...

Força, amiga... estou sempre cá...

Até Deus deixar....

quinta-feira, outubro 25, 2007

Será?


Sentada no rochedo, olho o mar...

Esta rotina, repete-se dia, após dia, sempre ao entardecer!

Gosto de ver o Sol esconder-se, e a deixar reinar a Lua...

Adoro ver o momento em que os dois se encontram, e imagino que por breves segundos, juram amor eterno...

Desde menina, que eu imagino que o Sol tem um amor platónico, pela Lua. E até tinha arranjado, um motivo, por Deus os ter separado... Talvez, tivessem desafiado e Todo Poderoso, e Ele, tinha-os separado para sempre...

Mas isto claro, eram ilusões de menina...

Depois, os cientistas, destruiram a minha ilusão...

Mas não deixa de ser um espectáculo único... E, eu não me canso de olhar...

Com as pernas dobradas e os braços a rodeá-las, pouso o rosto, nos joelhos e fixo o horizonte.

O mar... a linha ténue, que o separa do céu.

O movimento sensual das ondas...

Tudo isto me fascina, me emociona e me deslumbra!

Ali, naquela praia deserta, embora esteja só, não sinto a solidão...

Desço do rochedo, e descalça, começo a andar pela praia.

Deixo o mar tocar-me! Suavemente... Como se me pedisse permissão, para me acarinhar!

E, eu deixo.

Conto-lhe os meus segredos... As minhas desilusões... Frustações... Sonhos!

Ele ouve-me!

Eu sei que ele me ouve...

E também sei, que ele vai lá estar sempre para me ouvir!

Para me acariciar os pés, com a sua água morna...

Para me limpar as lágrimas, com a sua água salgada...

Sento-me na areia molhada, e fixo o infinito...

Que se esconde por detrás daquela linha??

Países distantes, que nunca vou conhecer...

Será que tu vives em algum deles??

Deixo-me levar pelo som que as ondas fazem ao tocar na areia, e deito-me...

A água chega até mim... então, tenho a sensação que o mar, me diz sussurrando:

" Ele vai voltar!"

Será que foi ilusão??

Levanto-me, e corro para casa...

Mas, em vão...

Não estavas lá... não tinhas voltado!

Talvez amanhã...

Amanhã, vou voltar a sentar-me no rochedo...

Será que existe amanhã para nós?...

Será?...

terça-feira, setembro 18, 2007

Morte lenta...

Morre lentamente quem não troca de idéias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.
Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá conversa para quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.
Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe. Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.

terça-feira, setembro 11, 2007

Desabafo...

Quando resolvi criar este blog, a minha intenção nunca foi falar de mim...
Nunca falei da minha vida!
Os textos são 90% inventados,10 % reais, gosto de escrever, e sempre que tenho tempo e disposição, escrevo!
Excepção dos que falam do meu pai... esses são reais e sentidos!
Não gosto de me expor... não é do meu feitio!
Mas hoje resolvi desabafar... e este texto faz parte dos 10% reais, pelo menos é o que sinto.
Sinto-me triste e revoltada!
Sempre fui uma acérrima defensora da geração actual, e quando me dizem que o mundo está perdido, eu acho um tremendo disparate! Ou pelo menos achava...
Não gosto do que vejo...
Vejo uma nova geração de pais, a darem péssimos exemplos aos seus filhos...
Ensinando-lhes a serem egoistas, e até cruéis!
A ganância, a vontade de vencer tudo e todos, leva-os a levar tudo à frente (nem que para isso alguém inocente, pague o "pato")!
Não têm a humildade, de assumir os erros, ( ou são burros ou imbecis) porque todos erramos... é uma das facetas humanas...
E o acto de pedir desculpa, não lhes empobrece o espírito, muito pelo contrário.
Quase que exigem que a criança opte entre a familia de um ou de outro...
Os amigos e padrinhos são impingidos, como se a criança fosse um boneco...
Mas ela é um ser humano, olha... vê... pensa...
E age igual aos pais...
É este o nosso futuro... homens e mulheres egoistas, mal agradecidas, sem humildade, sem caracter, e pior que isso, pensam que o mundo gira à volta do umbigo delas...
Nesta guerra de estupidez e falta de caracter eu não entro...
Fico na plateia, assistindo a mais um acto de uma peça de teatro que nunca mais tem fim...
Os actores odeiam-se, mas fingem amarem-se...
A mim não me aflige particularmente, já estou velha demais para ver o desfecho...
Mas espero sinceramente, que se um dia eu tiver um neto, o meu filho lhe ensine, tudo o que eu um dia aprendi com os meus pais, e lhe transmiti.
A ser generoso, humilde, saber perdoar, e o mais importante de tudo, saber respeitar os outros.
E que saiba impor-se, como homem que é, sempre que a vida o exigir... e não se deixar levar...
A falta de personalidade, é dos piores defeitos que existe...
E tenho tanta pena de ver pessoas, que eram gentis e carinhosas, serem levadas por outras sem caracter... já não há remédio! perderam-se... de si mesmas e dos outros!
Afinal... tenho que dar a mão à palmatória...
O mundo está mesmo perdido!...
Estamos entregues à bicharada... Mas aqui no meu galinheiro, ainda mando eu!
Quem gosta, gosta!
E quem não gosta, sinceramente, não me faz falta...
E se há uma coisa que nunca fui, foi pobre de espirito...
Pobre de dinheiro... mas rica de sentimentos... e de consciência tranquila...
Quantos podem dizer o mesmo??????

sexta-feira, agosto 03, 2007

Abre o teu coração!!!


Já deves ter percebido que geralmente é necessário viver momentos de crise para que realmente as pessoas mudem hábitos e costumes.
Geralmente essas crises acontecem quando estamos agarrados a velhos padrões de comportamento. Sabemos que tem que mudar, mas inconscientemente permanecemos agarrados a eles: é o medo do novo. Parece ser mais seguro ficar com aquilo que já conhecemos.
Quando chegam as crises, dá impressão que o mundo acabou, vemos apenas o sofrimento, o caos!Por que isto está acontecendo comigo? É injusto! Sou uma pessoa tão boa! Não devia ter acreditado. Bem que me falaram. E etc, etc, etc...
Tudo a nossa volta está em constante processo de transformação! Olha à tua volta. Irás perceber que todos têm questões a resolver. Mudar significa desapegar!
Quando tu te comprometes a mudar, o mundo à tua volta também muda! Esse caminho é desafiante, árduo, mas teus resultados são gratificantes! Poderás começar teu processo de transformação pelas pequenas coisas, assim irás exercitando tua mente para as grandes e necessárias transformações.
Por exemplo, vai até o teu armário! Abre a porta e observa-o por alguns minutos. Vê todas as roupas que estão lá guardadas e tenta perceber quantas peças já não utilizas. Outras tu queres acreditar que um dia ainda poderás usar, porém o tempo passa e elas ficam pra lá. Algumas estão até velhas e fora-de-moda, daí crias uma ilusão que poderás usá-las só para ver como será. Mas a peça fica parada tomando o espaço de peças novas. Tomam espaço enquanto poderiam ser úteis para alguém.
A acupuntura explica que a dor é excesso de energia concentrada em determinado ponto. É energia parada, sem movimento, sem fluência.
Analogamente poderia estar um relacionamento sem qualidade, onde as pessoas tomam espaço no armário emocional, numa relação sem amor, sem respeito, achando que um dia possa melhorar, acreditando que um não possa viver sem o outro, pensando ser ruim com a pessoa e pior sem ela, ou por costume, ou para evitar conflitos familiares, chegando ao ponto de procurar o complemento emocional em relações extras.
Desculpas existem várias, mas fica a saber que estás bloqueando a tua realização e ocupando o lugar de alguém que poderia chegar em tua vida e também impedindo o outro na sua realização. Estarás menosprezando a tua capacidade, teu potencial de amor, perdendo o teu tempo, sufocando a tua criatividade, impedindo o teu caminhar na estrada da vida, criando karmas.
Tu poderas começar a mudar esse jogo através de teu armário. O armário de roupas é o reflexo da pessoa. É como se dissesse: Mostra-me teu armário e eu lhe direi quem és! Lá estas tu, o teu estilo, as tuas cores. Verifica tudo o que está parado na tua vida, deixa a energia fluir começando pelo armário. Retira tudo o que não usas. Doa para quem precisa. Livra-te do que não é importante, poderá ter importância para o outro. Começa a transformar tua vida pelo armário e as outras mudanças virão. Parece simples, mas requer disposição!


Força!!!!!

segunda-feira, julho 23, 2007

Encantamento!


Quebrou-se o encanto... perdeu-se a magia...!

Nada tem o sabor de antes...

As amizades esfriaram...

chego agora à triste conclusão que não eram amizades sinceras!

Andei iludida... sinto-me enganada...

Com a estranha sensação de andar só, no meio da multidão!

Olho e não vejo nada...

Não ouço qualquer som!

Ou o que ouço, não me interessa.

Perdi o interesse nas pessoas...

Não as entendo, e já nem noto da minha parte qualquer vontade de as ouvir!

Maltrataram, o que de mais precioso tenho em mim! Meus sentimentos!

Não me deram o devido valor...

Fizeram-me acreditar que eu não era importante!

E eu acreditei...!

Vandalizam a minha alma, e eu deixei!

E fizeram de mim uma pessoa amarga, desiludida...

Já nem me interessa, se as minhas palavras magoam...

Estou sem paciência, sem interesse, e sem vontade...

Perdeu-se o encanto... Quebrou-se a magia...

Pois... foi...



terça-feira, julho 03, 2007

Eu queria...!



Eu queria! quero! quis!


Dito assim, até parecem palavras muito egoistas, egocêntricas... enfim!


Mas não são!


São simplemente desejos.


Eu queria ter alguém para passear comigo, lado a lado ao entardecer na praia...


Eu queria ser surpreendida, depois de um dia de trabalho, com um ramo de flores!


Eu queria que as minhas férias fossem marcadas pela surpresa de uma viagem mistério...


Só nós dois...


Eu queria não ter de te fazer lembrar os aniversários!!


Eu queria que olhasses para mim, com antigamente, sem dúvidas e ressentimentos!


Eu queria um jantar à beira mar, numa qualquer noite de verão...


Eu simplesmente queria uma saída nocturna, para comer um gelado...


Eu nunca quis que a rotina tomasse conta de nós, mas não tive forças para a afastar, e ela veio para ficar!


Eu quis tanta coisa...


Não!!!


Mentira!!!


Eu só quis ser amada...


Eu só quis amar...


Um dia... quem sabe...


Um dia...


segunda-feira, junho 18, 2007


Hoje ao olhar-me no espelho, fiquei preocupada!

Não que eu tenha mudado, da noite para o dia... nada disso! Simplesmente, olhei para mim!

OLHEI!

Não olhei para as minhas rugas, essas eu já as conheço de cor... nem para a cor do cabelo, nem para aquela gordurinha, (que apesar das dietas, teima em não me abandonar!), nada disso!

Olhei para o meu interior...

Lembrei da pessoa que eu era... e não gostei do que vi!

Achava que não tinha mudado nada, que era a mesma pessoa!

Mas onde está aquele riso fácil, que saía involuntáriamente?

Hoje em dia, quase não acho graça a nada!

Onde está aquele sorriso, quase permanente, nos meus lábios?

Perdeu-se, em uma qualquer altura da minha vida, e nem dei por isso!

Porque já não acredito nas pessoas?

Eu juro que tento, mas são tantas as desilusões...

Porque será que tenho muita dificuldade em aceitar novos amigos?

Porque acho sempre, que se vão aproveitar de mim...

Porque é que quando chove, eu fico irritada, em vez de feliz, por poder andar à chuva?

Porque a minha condição de adulto, me diz que não devo andar à chuva! (embora muitas vezes eu adorasse fazê-lo)

Onde está o cheiro a flores campestres na Primavera, que eu simplesmente adorava!

Hoje, nem sinto o cheiro...

Por onde andam, todos os meus amigos de escola, de liceu...?

Morro de saudades, daquela época, tão livre, sem obrigações, sem horários, sem cobranças...

Onde está o meu professor de matemática? (que eu odiava, mas por incrivel que pareça, tenho saudades dele!)

Onde estão as férias grandes... Passadas na praia, com algumas amigas, onde estendidas na areia, com as mãos a segurar o rosto e os cotovelos na areia dourada, olhavamos para a imensidão do oceano e sonhavamos, com o que estaria no outro lado...

Com é que seria a nossa vida, dali a vinte anos...

Os vinte anos já passaram...

Será que elas realizaram os sonhos??

Eu não!

Nada daquilo que eu sonhei, se concretizou!

Todos os meus sonhos ficaram pelo caminho...

E com eles, ficou também o meu sorriso, e a minha alegria de viver!

Quem me dera, que a letra de uma canção antiga, fosse verdade: " Ó tempo volta para trás..."

Mas ele não volta, e eu não vou poder encontrar o meu sorriso, perdido numa curva qualquer, da estrada da minha vida...

quarta-feira, maio 30, 2007

Falta de inspiração...!


Tenho dias assim...

Em que a minha cabeça, parece oca, vazia de ideias, mas cheia de preocupações...

E quando estou nesta fase, tipo encubação, não sai nada...rigorosamente nada!

Fez dia 29 de Maio 7 anos que o meu pai faleceu!

Parece que foi ontem, sinto muito a sua falta, parece que ainda ouço o tom grave da sua voz, quando em jeito de brincadeira, me dizia as verdades, que vindas dele, não me custavam a ouvir.

Ainda hoje sinto um aperto no peito, e um nó na garganta, quando entro no quarto que ele ocupou até nos deixar...

Ouvir falar dele, sempre com o verbo em passado, causa-me náuseas, e revolta!

Ele é presente, hoje e sempre...

Não posso admitir que o homem, por quem eu me guiei toda a vida, tenha morrido.

Deixou um vazio no meu coração, que nunca vai ser ocupado por ninguém, tinha um lugar vitalício... conquistou-o por mérito próprio.

O cheiro ao after shave que usava, ainda está entranhado nas paredes de casa, os frascos semi-vazios estão na prateleira, como quem espera ser utilizado novamente, mas não... isso não vai mais acontecer, porque onde ele está não precisa de fragâncias artificiais...

Pois não? Pai?

Imagino que o paraíso esteja repleto de flores, na Primavera, e o seu perfume cubra todas as almas boas, que como tu foram escolhidas para esse sitio magifico...

beijo, pai...e até um dia...

sexta-feira, maio 04, 2007

O Adeus...


" O amor não existe; o que existe são provas de amor..."
O quarto, numa semi-penumbra, onde se misturam os odores de certos fármacos com os das rosas acabadas de colher, tem uma paz muito própria.
Joana pode durar horas, minutos, ou segundos. O médico ao sair, avisara os filhos, Gonçalo e Rodrigo, do vaticínio clínico.
Um de cada lado da sua cabeceira, guardam entre as deles, cada uma das mãos de sua mãe que, embora com uma respiração já muito fraca, conseguia manter o olhar sereno dos últimos dias.
Rodrigo, com lágrimas silênciosas a correrem-lhe pelo rosto, recorda os tempos de menino em que aquela mão, então vigorosa, lhe percorria os cabelos, acarinhando-lhe a nuca nos imprescindiveis momentos que antecediam o adormecer. A mesma mão que todas as manhãs, pelas seis e meia, o levantava ensonado, o vestia e o levava ao autocarro do colégio. Essa mão que durante anos, semanalmente lhe escrevia, nas longas férias passadas no Alentejo, em casa dos avós e, mais tarde, nas primeiras viagens feitas ao estrangeiro, ainda muito jovem, nas excursões do colégio.
Rodrigo era sempre o que tinha mais correio da família e orgulhava-se disso. Tinha saído a primeira vez a Dijon, talvez com onze anos. Fôra um mês de corte umbilical, que tanto lhe custara na altura, mas que iniciara, sabe-o hoje, o espírito aventureiro que ainda sente dentro de si.
Fora também aquela mão que acidentalmente, lhe dera algunas nalgadas, quando a rebeldia era considerada excessiva.
Ainda as mesmas mãos que lhe haviam dado a carta de alforria - a chave de casa - entre as muitas que havia de perder... Foram ainda elas, hoje tão frágeis, que sempre encontrara nas alturas em que delas mais precisara...
Gonçalo não chora. Tem os olhos tão secos e o rosto tão tenso, que toma a expressão das ocasiões em que as lágrimas não conseguem passar do aperto na garganta. Como em menino...
Amava aquela mãe, com o afecto mais profundo de que se sentia capaz. Mantivera, sempre, com ela uma relação turbolenta, porque sentindo-se da sua fibra, não conseguia partilhar a sua forma de pensar. Fôra um "gostar contido", como as convicções o haviam, aliás ensinado.
Os anos conseguiram adoçar, lentamente, aquelas arestas mais duras entre ambos.
Hoje, perguntava-se a si próprio, quantas pessoas ele respeitaria tanto como aquela mãe, simultâneamente tão diferente e tão igual.
Joana fez um ligeiro movimento de corpo e os olhos passaram de um para outro dos seus filhos.
Ela sabia que o seu tempo estava por um fio, e que aquelas eram as derradeiras imagens levaria consigo.
De tudo quanto fizera na vida, nada passara ao lado destes filhos tão diferentes e tão amigos.
Por instantes recordou, nos dois, o pai de ambos, parecendo-lhe mesmo, vê-lo em cada um deles.
Lembrou-se, também, da avó, da mãe, do avô, do pai e, de repente, viu-os ali, entre o Gonçalo e o Rodrigo.
Queria falar, precisava de se despedir, mas não conseguia articular uma só palavra. Tanta coisa, tanta, que ficara por lhes dizer. Tanto carinho, tanto gesto, que ficara por fazer...
Ela só queria confessar-lhes isso.
Mas o som não saía...
Reunindo as últimas forças, apenas conseguiu apertar forte e juntar no seu coração, uma sobre a outra, as mãos dos dois. Exactamente, como há muitos anos atrás, quando ela era criança, fizera no leito de morte de sua mãe.
Ela sabia que eles iriam fechar os seus olhos.
Sorriu-lhes, com ternura, e morreu.
Serena...
Ao ler o blog do Cusco, lembrei-me deste texto...
Espero que gostes!

quarta-feira, abril 18, 2007

Estranho Amor!

Adora os passarinhos, adora mesmo...

E mantêm uma avezinha nascida para voar nos grandes espaços, numa mísera gaiolita, onde nem pode bater uma só vez as asas...

Adora os passarinhos, trata deles com desvelo e enternece-se com o maravilhoso trinar dum canário-claro que, para que ele cante bem, há que condená-lo à mais angustiada solidão, há que separá-lo da fêmea, o canto lindo, faz parte do ritual encantatório pré-nupcial que, porque ele adora ouvir cantar o canário, nem se consuma...

Adora os animais, e brutalmente separa um cachorrinho de poucos dias dos seus irmãos e da mãe, deixando-o a gemer, a chorar até se "habituar"! habituar?

Adora os animais e inflinge-lhes tratos que muitos e muitos escravos nunca sofreram... tratos brutais, tão desumanos que a natureza quantas e quantas vezes transmite de uma forma decisiva indicações genéticas que contrariam o primeiro, o maior, o mais profundo anseio da especie: procriar, continuar!

A natureza diz que assim não! que é melhor não gerar filhos, que é melhor acabar - e é por isso que a maior parte dos animais bravios não se reproduzem, ou reproduzem-se mal em cativeiro.

Ensinamos ás crianças o amor aos animais, vestigios de Deus no dizer de um Santo...

Levando-as a um jardim zoológico, onde os grandes animais nascidos para a liberdade dos grandes espaços se encontram confinados a celas minúsculas, vítimas dum suplementar horror: a inactividade total durante dias, semanas, meses, anos...

Amor aos animais? Uma treta!...

Antes as touradas. Cruéis?

Sem dúvida, mas apesar de tudo, mais vale a um touro uma vida de liberdade e bom passadio a pastar na lezíria e a correr atrás das vacas, e depois meia hora de luta e sofrimento, que a apagada e vil tristeza de toda uma vida numa jaula ou gaiola minúscula sem espaço, sem actividade, sem luta, sem nada, sem vida...

A aprodecer, até endoidecer....

Amor aos animais?? Mentira!!

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

O antes e o depois!!!


No outro dia, sentada no sofá, olhei para a TV e estava a passar um daqueles anúncios com bebés, fiquei encantada...eles são todos lindissimos!

Depois, olhei para a foto do meu filho, e então é que me dei conta de tudo o que muda, quando um ser tão pequenino aparece nas nossas vidas...

Antes de ser mãe eu comia os alimentos ainda quentes.

Eu não tinha as roupas manchadas.

Eu tinha calmas conversas ao telefone...

Antes de ser mãe, eu dormia as horas que me apetecia, e nem me preocupava a que horas me deitava...

Eu nunca me esquecia de escovar os cabelos...

Antes de ser mãe, eu limpava a minha casa todo o dia, e não andava a tropeçar em brinquedos, nem cantava canções de embalar!

Antes de ser mãe, eu não me preocupava se as plantas que tinha em casa eram venenosas.

Até então, nunca ninguém tinha feito xixi em cima de mim, nem me tinham arranhado, com aquelas unhas fininhas...

Antes de ser mãe eu tinha controle sobre a minha mente, meus pensamentos, meu corpo e meus sentimentos.

... eu dormia a noite toda...

Antes de ser mãe eu nunca tive que segurar uma criança chorando para que os médicos pudessem fazer testes ou aplicar injecções...

Eu nunca tinha chorado, ao ver uma criança chorar!

Eu nunca tinha ficado gloriosamente feliz, com uma simples risadinha.

Eu nuca tinha ficado sentada horas e horas, olhando para um bebé dormindo.

Antes de ser mãe eu nunca segurei uma criança, só por não querer afastar o meu corpo do dela.

Eu nunca senti meu coração despedaçado, quando não pude aliviar uma dor.

Eu nunca imaginei que uma coisinha tão pequenina pudesse mudar tanto a minha vida.

Eu nunca imaginei que pudesse amar alguém tanto assim...

Eu nem imaginava como eu ía adorar ser mãe!!

Antes de ser mãe, eu não conhecia a sensação de ter o meu coração fora do meu próprio corpo.

Eu não conhecia a felicidade de alimentar um bebé faminto...

Eu não conhecia esse laço que existe entre a mãe e o seu filho.

Eu não imaginava que algo tão pequenino pudesse fazer-me sentir tão importante.

Afinal, damos conta que nada mais interessa no mundo... Só ele, e por ele morremos, se for caso disso...

Eu te amo meu filho!!!!!

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Aborto!!!!


Depois de ponderar, se devia ou não escrever sobre este assunto, decidi que afinal, também tenho direito de dar a minha opinião sobre o assunto.
O assunto é polémico, e mexe com a intimidade de muita gente, mas de qualquer maneira, acho que a minha opinião não vai fazer a diferença... mas é a minha opinião!
O blog é meu... a consciência é minha... e a opinião...cá vai ela!
Sou sinceramente, e desde sempre a favor do "sim", e deixar na vontade e na consciência de cada um o que deve fazer.
E não venham cá com cantigas da carochinha de que é um ser vivo, e que as mulheres que praticam o aborto são umas "assassinas"! Tretas!
Com 10 semanas de gestação, o que existe não é nada...a não ser um óvulo em transformação!
Vejo campanhas pelo "Não" que me agonizam, pessoas anónimas e célebres, a manisfestarem-se para que todos os bebés tenham o direito a viver...
Muito bem, não fosse uma grande hipócrisia...
Não vi, ainda nenhuma manifestação, acerca das crianças maltratadas, abandonadas, violadas...
Não vi ainda nenhuma manifestação, para ajudar as crianças, que estão em lares e outras instituições de menores...
Dizem que o sistema nacional de saude, não tem dinheiro para tantos abortos!?
Mas os tribunais podem encher secretárias com os processos dessas mulheres, ocupam o tempo dos juizes, quando poderiam estar a concluir outros casos relevantes...
Mas podemos construir estádios de futebol, pelo país todo, sem qualquer utilidade pública, alguns estão pura e simplesmente ás moscas... como o do Algarve, que está fechado 300 dias por ano (os outros joga lá o Louletano), mas tem uma despesa fixa por mês na volta dos 3500 euros, não é desperdicio?
Constroem-se estradas e outras obras, mas o orçamento inicial, nunca é cumprido, depois vêm para os canais de TV e falam como se a população fosse toda burra! (sei que ás vezes parecemos, mas não somos todos).
E as mulheres?? onde ficam no meio desta confusão?? será que alguém se lembrou delas??
Será que acreditam que alguém que vai fazer um aborto, vai fazê-lo por prazer?
Nem imagino, com que agonia, alguém vai fazer um aborto, mas se for melhor para ela, porque não?
Ao menos, não o vai abandonar para que o estado não tenha mais uma criança para sustentar até à maioridade, nem a vai maltratar, nem violar...
Se não tem condições psiquicas, monetárias, ou simplesmente acha que não é hora de ter um filho, porque não abortar???
Fica no critério de cada mulher o que deve ou não fazer com o seu próprio corpo!
Mas legalizem algo que já se faz, sempre se fez, mas só os ricos o podiam fazer!
Nunca o fiz, não sei se o faria... mas penso nos outros...
Deixemo-nos de tantas conversas, e passemos à acção!
Vamos ajudar as crianças que já cá estão, e que foram abandonadas!
E deixemo-nos demagogias, sobre um espermatozóide e um óvulo, que tiveram o azar de se encontrar umas semanas antes!
Haja paciência...

quinta-feira, janeiro 25, 2007

A Fuga!


Eles fogem...
Eles calam-se e fogem, todos temos um pouco daquele medo que nos arrasta, ferra as garras no nosso corpo e nos consome, espreme-nos e delicia-se, porque entregamo-nos sem saber porquê.
Todos nós temos medo de saber que estamos fugindo, sem fazer nada.
Nem salvar uma flor!
Nem cuidar das ondas!
Nem proteger a terra!
Nem amar um pássaro ferido a tremer, que olha para a cara de um menino.
Nem uma lágrima de obrigado, uma lágrima muito quente escorrer e a aquecer o peito e que salva os inúteis...
Nem isso fazemos. Calamo-nos e fugimos com medo da nossa própria vida. Talvez já sejam horas demais para ser cedo, são quase horas de ser tarde. Talvez nem adiante pensar que estamos mortos.
Sós na vida.
Cansados.
Enterrados na cegueira que nos obriga a correr no mundo sem o compreender. Porque nem nós próprios nos compreendemos! É triste... É melancólico sentir a noite para quem não sonha...
É melancólico sentir que nem temos medo de sermos nós próprios a arma com que nos matamos.
Porque fugimos do mundo. Porque procuramos o nada de tudo. Aquele tudo que caberá numa grande folha, para pregar no nosso quarto, quando os nossos netos gostarem de ver a fotografia da inutilidade, que envelheceu a nossa mente tão estupidamente...
Quando sentirmos frio!
Quando o sol baixar e a luz se apagar. Quando precisarmos de amor, a folha iluminar-se-á e recordará que um pássaro nunca treme, nem sente frio, nem precisa de luz e amor, enquanto existirem crianças que com uma lágrima os façam aquecer e esquecer que não são pássaros, mas sim homens...
Homens que fogem...
Homens que gritam...
Homens que têm medo de serem homens...
Homens que passam a vida sem viver e apenas existem...
Toda a pessoa, que não olha para aquilo que a rodeia, para tudo aquilo que a suporta na terra, existe apenas.
Nem ela própria sabe que não vive, porque nunca viu uma flor, nem compreende que tudo diz alguma coisa antes de morrer.
Porque nunca ouviu o mar, as pedras, os moinhos, os pássaros, as flores, os montes e as casas falarem...
Porque a ignorância quis ser dona e rainha do seu próprio mundo!

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Laços Eternos


Hoje, ao atender o telefone que insistentemente exigia atenção, o meu mundo desabou!
Entre soluços, e lamentos, a voz do outro lado da linha, informa-me que o meu amigo, meu companheiro de jornada, meu ombro amigo, havia sofrido um grave acidente, vindo a falecer quase que instantaneamente.
Lembro-me de ter desligado o telefone, e caminhado a passos lentos para o meu quarto, meu refugio particular.
As imagens da minha juventude, vieram à minha mente, a universidade, as bebedeiras, as conversas em volta da lareira, até altas da madrugada, os amores não correspondidos, as confidências ao pé do ouvido, a cumplicidade, os sorrisos...ahhhhhh, os sorrisos...como eram fáceis de surgir naquela época. Lembrei-me da queima das fitas, de um novo horizonte que surgia... das lágrimas na hora da despedida! E principalmente das promessas de novos encontros!
Lembro-me perfeitamente de cada feição dele, em seus olhos via a promessa de que eu nunca seria esquecida.
E realmente nunca fui. Perdi a conta das vezes em que ele carinhosamente me ligava, quando eu estava no fundo do poço... Ou das mensagens, (que nunca respondi) que ele constantemente enviava enchendo o meu telemóvel de esperanças e promessas de um mundo melhor.
Lembro que foi em seu ombro que chorei a perda do meu adorado pai. Lembro que foi no seu ouvido que derramei as lamentações de uma relação que não vingou. Lembro que foi o seu rosto que eu vi, quando o meu filho nasceu!
Apesar do esforço, para vasculhar a minha mente, não consegui lembrar-me de uma só vez em que tenha pego no telefone, para lhe ligar e dizer o quão importante a sua amizade era para mim.
Afinal, eu era uma mulher muito ocupada. Eu não tinha tempo. Não me lembro de ter feito qualquer tipo de surpresa, como aparecer de repente, com uma garrafa de vinho e um coração aberto, disposto a ouvir. Eu não tinha tempo. Não me lembro de qualquer dia em que estivesse disposta a ouvir os seus problemas, acho que nunca imaginei que ele tivesse problemas. Não me dignei a reparar que constantemente o meu amigo passava da conta na bebida, achava divertido o seu jeito bêbado de ser, afinal ele era sempre uma óptima companhia para mim...
Só agora vejo claramente o meu egoismo. Talvez - e este "Talvez" vai acompanhar-me eternamente, se tivesse saído do meu pedestal, egocêntrico e prestado mais atenção, o meu amigo não teria bebido demais e não teria jogado sua vida fora, ao perder o controle de um carro que concerteza, não tinha a minima condição de conduzir.
Talvez, ele que sempre inundou o meu mundo, com a sua iluminada presença, estivesse sentindo-se só. Até mesmo as mensagens engraçadas que ele constantemente deixava no meu telemóvel, poderiam ser o seu jeito de pedir ajuda...
Aquelas mensagens que eu apaguei do telefone, jamais se apagarão da minha consciência. Estas indagações que inundam agora o meu ser, nunca mais terão resposta. A minha falta de tempo impediu-me de respondê-las.
Agora, lentamente escolho uma roupa preta, digna do meu estado de espirito e pego no telefone. Aviso o meu chefe de que não irei trabalhar hoje e quem sabe nem amanhã, nem depois...
Pois irei tirar o dia para homenagear com o meu pranto, a uma das pessoas que mais amei nesta vida. Ao desligar o telefone, com surpresa eu vejo, entre lágrimas e remorsos, de que para isto, para acompanhar durante um dia inteiro, o seu corpo sem vida, eu tive tempo!
Descobri, que se não tomas as rédeas da tua vida, o tempo engole-te e escraviza-te.
Trabalho com o mesmo afinco de sempre, mas somente sou a profissional durante o horário de expediente, fora dele, sou um ser humano!
Nunca mais uma mensagem ficou sem pelo menos um "Olá" de resposta.
Tento enviar sempre aos meus amigos diversas mensagens de amizade. Escrevo postais de Feliz aniversário e de Natal, lembrando sempre como essas pessoas são importantes para mim. Abraço constantemente minhas irmãs e família, pois os laços que nos unem são eternos.
Esses momentos costumam desaparecer com o tempo, e todo o cuidado é pouco!

terça-feira, janeiro 09, 2007

Eu Tentei!


Quem é que nunca tentou explicar a morte para uma criança?
Muita gente, pensam vocês... algumas vezes, sem qualquer sucesso...
Eles pura, e simplesmente não entendem!
Então optamos pela ficção... "é mais uma estrela no céu..." e por aí fora...
Eu infelizmente, também tive que explicar a morte, de um ente, muito querido...
Tentei à minha maneira, começando por lhe pedir, que pronunciasse a palavra "morto"!
E então comecei:
" É dificil não é? provávelmente porque é uma palavra triste... e que dá um pouco de medo.
Vamos voltar a repetir, " MORTO", agora vamos falar de outra palavra parecida, " MORREU".
Foi o que aconteceu com o avô, ele morreu. Ele está morto!
Não é como nos filmes, em que morrem, e no filme a seguir, já estão novamente vivos! Não!
Morreu... quer dizer morreu... o avô, foi embora, não vai voltar mais.
Quando uma coisa ruim acontece, nós preferimos fazer de conta que nada aconteceu. Imaginamos que não é verdade.
Quando o avô morreu, nem queríamos acreditar! Pensamos até que ele tinha ido fazer uma longa viagem, e vai voltar!
Mas nós sabemos que isso não é verdade, o avô morreu!
Continuamos a amá-lo, vamos sentir muito falta dele, mas não podemos fazer ele viver de novo!
O que quer dizer morreu?
Lembras-te do nosso cachorrinho, que foi atropelado? Ele ficou lá na rua, deitado, sem respirar, sem se mexer, seu coração parou de bater. Ele nunca mais vai respirar, ou voltar a mexer-se.
Ele estava morto!
A mesma coisa acontece com as pessoas, o corpo não se mexe, o coração não bate, já não respira! Fica sem dor... sem vida... em paz... A morte é tão triste...
Nós sentimos tanta falta do avô, que dá vontade de chorar, então porque esconder? vamos chorar juntos... é uma maneira de mostrar que sentimos a falta dele.
Ficaste preocupado? Com medo de ter feito algo errado, e achas que por isso o avô não está mais aqui?
Não é verdade! O avô não morreu porque tu fizeste algo errado, nada que tivesses feito ou deixado de fazer, tem a ver com a morte dele.
Bem pelo contrário, tu muitas vezes fizeste ele ficar tão feliz...
Mesmo que tenhas feito, algo errado, ele sempre te compreendeu e perdoou, e como te amava muito nunca ficou magoado contigo!
Ele não morreu por tua causa!
Todas as pessoas morrem!
Eu sei, que deves estar sentindo raiva do avô ter morrido, como é que ele teve coragem de te abandonar, sentes-te só? abandonado?
Queres falar sobre isso? Falar ajuda...
É muito dificil compreender a morte. Para mim também. Talvez tu possas ajudar-me e eu vou te ajudar...
Nós não podemos mais ver o avô, falar com ele, mas podemos sempre lembrar dele.
Lembras-te das histórias que ele te contava? Das coisas que fazias e ele gostava tanto?
Agora ele morreu. Mas nós vamos sempre lembrá-lo.
Nós não vamos esquecer que ele morreu... Mas vamos sempre lembrar que ele viveu!"
Não sei se ele compeendeu...
Eu tentei!

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Um Dia...!


Depois de tantos anos ainda acordo, com a sensação de que estás ao meu lado!
Por breves segundos procuro-te... no espaço vazio e frio!...
O quarto ainda tem o teu cheiro... ou será que sou eu, que ainda tenho o teu cheiro entranhado no meu corpo! não sei!!!!
Levanto-me, e na casa de banho, a tua escova de dentes, permanece lá, como se esperasse o teu regresso,( juro, que já tentei centenas de vezes deitá-la fora, mas não consigo!).
Na sala, eu retirei todas as fotos, era muito angustiante, olhar todos os dias para ti, e não te poder tocar.
Mas, no quarto ao lado, está alguém que não me deixa esquecer-te!
Os mesmos olhos cinzentos, olham para mim todos os dias! As perguntas há muito se esgotaram, por falta de respostas...
Ele sabe que tem pai! Porque todos os meninos na escola, têm! Só que o dele foi embora! Sem ao menos saber que ele estava para nascer...
Não te culpo! juro!
Não sabias... e continuas sem saber, que existe algures... um menino com vontade de conhecer o pai!
Não é egoismo! nem vontade de te castigar... eu simplesmente não sei onde estás!
Nunca soube...
Foi como um pesadelo... Um dia chegaste, fizeste as malas, e disseste-me:
Vou embora! Amo-te, mas não tenho idade, para estar preso a uma relação, quero viajar, conhecer o mundo, amadurecer... deste-me um beijo, e partiste, dizendo: "Um dia volto"
Mas não voltaste! mudaste o nº de telefone, evaporaste...
Fiquei sentada no sofá, a voz não saía, as palavras morreram na garganta... Queria gritar, que estava esperando um filho, mas fiquei muda...
Não sei por quanto tempo ainda esperei que voltasses...
Qualquer barulho estranho, pensava que poderias ser tu... mas eram apenas ilusões!
Tu não me amavas, e não voltarías...
Habituei-me a fazer tudo só! Os passeios à tarde na praia, nos quentes dias de Verão, as idas ao cinema, entrar em todas as lojas e não comprar nada, montar a árvore de Natal, enfim...
Agora não! Tenho alguém que faz isso tudo comigo, um ser pequenino, mas que é tudo para mim! E é só meu!!!
As pegadas na areia, agora são marcadas a pares...
Por isso, faço um apelo, bem ao contrário daquilo que seria de esperar!
Não voltes! Não saberia o que dizer ao nosso filho!
Nem estou preparada para te receber... Um dia, ainda vou acordar e não vou lançar os braços à tua procura...
A escova de dentes, acabei de deitá-la para o lixo!
Já nada resta, que me faça lembrar de ti...
Apenas os mesmos olhos cinzentos... mas esses são lindos!
Um dia... quem sabe... vou conseguir esquecer-te!