Certa madrugada fria irei de cabelos soltos ver como crescem os lírios. Quero saber como crescem simples, belos e perfeitos!Ao abandono nos campos...

sexta-feira, abril 29, 2011


Desculpa, se a páginas tantas


me perco e te esqueço

se me embrenho em palavras

e letras e cores e outros sons

e danço outras músicas

e me esqueço dos teus tons

Desculpa se te apanho num turbilhão

te enrolo e destroço

aparentemente sem razão

se te arranco o chão

debaixo dos pés

e desarmo e desconcerto

o homem que és

Desculpa, se recuso o teu beijo

se não procuro o teu abraço

se te fecho a porta do meu espaço

se não sei fingir sorrisos

se me calo, se te ignoro

se sou o pior dos portos de abrigo

se não tenho palavras e me escondo

Desculpa se te transtorno,

me transformo,

e vives em perpétuo abandono

Desculpa, se não vou onde estás

se és café e eu aroma de mil chás

se procuras um ombro e eu um amante

se te vejo pequenino e te sentes um gigante

Desculpa se os meus horários

são tudo excepto ordinários

se do que esperas de mim,

apenas tens os contrários

Desculpa todos os beijos, carinhos,

os silêncios, os desatinos

todas as sombras, as horas longas



Desculpa, em resumo, todos os dias

Em que não fui quem tu querias.

Fui como sou.

E é tudo isso que te dou...

quinta-feira, abril 28, 2011

Os nãos que afinal são sim...



…são complicados. Não que eu diga não a tudo.
Mas é certo que muitas vezes digo sim para me obrigar a libertar dos cordéis e seguir.
Há dias ansiava pelo fim do mundo apenas para não passar por determinada momento. Imaginei uma bola de fogo, um cometa, a Lua a colidir com o Sol mas…o que é certo é que o meu outro lado queria realmente viver cada segundo daquele momento. Como este tenho muitos. Muitos que não viver ou pensar mas depois de vividos são mais um tijolo para o castelo.


É certo que conheço-me melhor do que muitas vezes penso e ainda bem que deixo que seja o subconsciente a comandar de vez em quando.

Pronto era só isto!


(Aliciante)



terça-feira, abril 26, 2011

.........




É estranho…quando se encontra conforto na pedra fria, na dureza do chão ou até mesmo na aragem gelada que sobe pelos véus que cobrem a pele arrepiada.


É estranho quando basta chegar a noite e se brinda com água salgada e vagas altas que tiram o fôlego.

É estranho quando se deseja o calor do olhar mais do que o calor na pele.

quinta-feira, abril 14, 2011

Gosto...



…de sentir água fria nos pés.  E também no corpo.
É uma questão de hábito.  Os banhos frios.
Às vezes despertam.  Noutros casos são uma autêntica tortura.
Gosto das duas formas.  Desde que tenham sempre água fria.
Não é gelada.  É quase.  No limbo...
Gosto especialmente de não me secar totalmente mas hoje queria que a minha varanda
fosse um deserto para poder oferecer as gotas geladas que tenho no corpo à luz da Lua.

segunda-feira, abril 11, 2011

As palavras que nunca te disse!



Esta vontade de falar... de dizer... de sentir em cada palavra os gestos que se prolongam em casa sílaba pronunciada, na respiração pausada e intercalada entre o que digo e o que quero dizer...
Não sei se me ouves...
Mas é neste silêncio que me atormenta a cada dia e  me acompanha a cada jornada que mais sinto a tua ausência!
Tenho necessidade de dizer-te o que sinto, como foi ou como será o meu dia...
Ainda recordo como entraste na minha vida... foste abrindo a porta lentamente, quase a medo, trocamos algumas palavras e ouvi a tua voz lá do outro lado.
Imaginei o teu sorriso a iluminar o teu rosto, queria mostrar-te o meu e encosta-lo ao teu peito num gesto sereno e repousante, queria marcar-te como uma tatuagem e permanecer em ti, nua de mim, e morrer nas palavras que dissemos e nas que ficaram por dizer!

(este texto foi solicitado por um amigo, não sei se agradou...)

sexta-feira, abril 08, 2011

A voz



(*lembrei-me deste texto antigo, depois de ter falado ao telefone com alguém sobre este assunto.)


Reflicto sobre o poder da voz, talvez porque me sucedeu ter ficado praticamente afónica. Trata-se de um dos nossos mais poderosos instrumentos de comunicação e que tanto pode dizer sobre um ser humano.

Existem todos os tipos de vozes, as alegres, as meigas, descontraídas, as irritantes, as sem sal, as doces, as másculas, as calmas, as serenas, as hesitantes, as sensuais (mi liga vai?!)...
Apenas por ouvirmos a voz de uma pessoa podemos ficar a saber imensas coisas acerca dela, se conseguirmos ser ouvintes atentos até o seu estado de espírito nos é revelado. Curioso sempre me pareceu aquele fenómeno fantástico de o som da nossa voz nunca (ou quase nunca) corresponder aquele que é na realidade. E depois fica aquela sensação estranha... tipo... ok... esta sou eu?
Voltando à voz. A voz de uma pessoa não emite apenas sons, ou reproduz palavras, acima de tudo transmite emoções, sensações, sentimentos... as palavras são ecos que ficam, ecos da nossa alma em que a voz é uma das muitas formas de esta se mostrar ao mundo. Da voz recebemos informações que são tratadas conforme a nossa personalidade, mas também ( e principalmente) a forma como algo nos é dito. Que diferença não existe entre um simples “Olá” frio e distante, dito quase de fugida, baixo e em surdina, e um “Olá” dito com calor, daqueles em que mesmo ao telefone parece que conseguimos sentir um abraço.
E depois existem as vozes da nossa vida... à minha pertencem sem dúvida a minha (pois passo a vida a ouvir-me falar), a do meu Pai que ecoará eternamente na minha cabeça como um forte trovão, a do meu primeiro grande amor, doce e meiga a acalmar os meus nervos, a de Edith Piaf que apesar de não considerar melodiosa ecoa na minha alma como o desenrolar de uma tempestade, a de quem me acarinhou e ajudou a crescer na infância, juventude e ainda agora, ... e outras espero que mais venham.
(Entretanto penso na tua voz, que já nem sei ao certo a que soa, pois por mais que tente não me consigo fixar nela. Apenas eternizei aquilo que me fez sentir ... queres saber? Então questiona-me. Questiona-me até à exaustão com as tuas palavras e essa tua voz que não sei definir, pois estou em crer que dificilmente colocarás as questões certas às quais responderei com a firmeza de um olhar.
(E quem me dera estar errada... ))






Quem és...?




Quem és tu?
Que por aí vieste a atravessar a minha estrada???
Atravessaste-a como um estranho e ali ficaste, parado a olhar para mim
Com os olhos mais dóceis que eu já vi!
Não só atravessaste como ali ficaste a pedir o meu ombro já cansado de sofrimentos.
Enrolaste-te em mim e eu dei-te quase tudo de mim.
Acreditei em ti
E deixei-te atravessar aquela estrada.
Vieste estranho e ficaste em mim.
Apoderaste-te das minhas fraquezas
E brincaste com a minha solidariedade!
Afastei-te de mim já o tempo se fazia tardio.
Sofri, talvez, como nunca sofri,
Pela imaturidade do teu ser,
Pela imaturidade dos teus erros quase nunca assumidos!!
Não aceitei todas as tuas desculpas, não posso!!
Acreditei nas tuas palavras
E gostei da tua música...
...que agora cantas em vão!!


terça-feira, abril 05, 2011

Se pudesse, pedia para descansar nas nuvens, pois eu sei que elas me dariam tranquilidade e guardariam todos os meus segredos.

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Já houve quem desejasse portas no peito para entender o que um humano pode sentir.


Eu teria medo de as abrir... Pior do que descobrir, é desmentir o que uma boca pode contar.