Certa madrugada fria irei de cabelos soltos ver como crescem os lírios. Quero saber como crescem simples, belos e perfeitos!Ao abandono nos campos...

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Encontro








Combinamos assim...
Primeiro chegas tu, e logo a seguir eu, ou então chegamos em simultâneo, tanto faz!
E quando ficarmos frente a frente olhamo-nos nos olhos e sorrimos. Aproximamo-nos devagar ou depressa, não vou prometer nada, logo se vê, mas de uma coisa tenho a certeza, não te darei um beijo na face, nem saberia como fazê-lo contigo.
Os narizes iriam chocar um com o outro para o mesmo lado, e os lábios perseguir-se-iam desenfreados...
Não!!
A sério, não consigo.
Pode ser um abraço apertado, uma palmada nas costas, um aperto de mão... sei lá, o que quiseres.
Pode até ser que te derrube com a excitação do momento e acabemos os dois por rebolar no chão, ou na água... em qualquer lugar. Desde que caiamos juntos, tanto se me dá a confusão.
Agora um beijo na cara é que não!!
Desculpa, não consigo!

sexta-feira, dezembro 10, 2010

A perfeição não existe

Não existe a familia perfeita!
Não existe o amigo perfeito!
Não existe o amor perfeito!
Não existe lugar perfeito!

Existem sim, momentos perfeitos...



terça-feira, dezembro 07, 2010

Nem imaginam como estou orgulhosa de mim.

Aos poucos vou decifrando o enigma...

CLEVER GIRL...

quinta-feira, outubro 21, 2010

Desencontro






Sentada na esplanada, ela tinha perdido a noção do tempo, seu olhar vagueava perdido entre os barcos que passavam e as pessoas que se aglomeravam ao fim da tarde!
A capital já não lhe parecia tão atractiva como quando há 2 anos trocou a sua aldeia e o controle da casa paterna pela misteriosa e apelativa Lisboa.
Sentia saudades do rio, dos amigos e do pai…
Daí que antes de voltar para o minúsculo apartamento que dividia com uma colega, ela sentava-se naquela esplanada junto ao rio, não era o mesmo é certo, mas ajudava a matar saudades…
Ele não conseguiu mesa para se sentar, encostou-se à parede e bebia sem vontade uma cerveja mais amarga que o normal, qualquer coisa servia de pretexto para não voltar cedo para casa, aguardava-o mais uma discussão, pois eram assim desde há meses todos os regressos a casa. O que ele julgara ser o amor da sua vida, tornou-se o seu pior pesadelo.
Mesmo assim respeitava aquele casamento embora ela não acreditasse.
Reparou na rapariga sentada na esplanada, estava só e notava alguma tristeza naquele olhar perdido…
Era morena e muito bonita, sentiu uma vontade enorme de desabafar, talvez com uma estranha fosse mais fácil fazê-lo, a falta de mesa para sentar-se foi o pretexto para se aproximar…
Falaram de trivialidades como o tempo, viagens, países que ela nunca visitou e que só conhecia pela internet, etc.
Após alguns minutos sentiram uma empatia um pelo outro e acabaram por falar da própria vida, ela comentou as saudades da aldeia, dos amigos e até das desavenças com o pai que tanto amava, ele contou-lhe da vida de casado, dos lindos dias românticos até ao pesadelo actual, falou dos filhos que desejava ter um dia e que a mulher menosprezava.
Falou dos ciúmes doentios que ditariam um dia o fim de um casamento que ele teimava em manter, falou-lhe do amor que morria a cada dia…
Calada, bebia cada palavra, cada gesto - Ele é um homem tão lindo, pensava ela enquanto bebia o café já gelado, tão meigo e tão maltratado…
O dia findava, o Sol deixava um rasto vermelho sobre rio… Ele apressou-se a despedir-se, perguntou se ela sempre aparecia por ali… Acenou com a cabeça num gesto de afirmação: Todas as tardes!
Quem sabe voltaremos a falar, comentou ele, ela acenou que sim, e despediram-se com um beijo na face.
Durante semanas ela voltou à mesma esplanada, bebia o seu café e esperava horas…
Durante semanas ele mudou o percurso para não passar perto do rio e não cair em tentação.
Um dia ele achou que devia tentar…
Nesse dia ela desistiu de esperar…

quarta-feira, setembro 22, 2010

Parabens pai!




Onde quer que estejas espero que ouças a minnha voz cantar-te os parabens pelo teu aniversário, espero que sintas o meu beijo na tua face, e me apertes contra ti num abraço profundo como sempre fazias!
Eu sei que já não estás entre nós, compreendo mas não aceito!
Resolveste deixar-me numa manhã de Primavera, sem uma palavra, sem um abraço, sem um beijo... Aproveitaste quando estavas só e desististe de viver.
Fechaste os olhos e nem me viste quando te fui dar o beijo de despedida!
Na altura achei tão injusto pai, podias ter esperado por mim!
Mas depois destes anos compreendo-te... nem imaginas quanto!
Talvez fosse melhor assim...
Sabes pai... aquela tua menina já não existe mais, aqueles olhos brilhantes que dizias sempre iriam conquistar o mundo perderam o brilho, o sorriso com que te brindava cada vez que te via esmoreceu! A alegria tornou-se numa enorme tristeza.
A tua menina tornou-se numa mulher desiludida, angustiada, triste e solitária!

Parabens PAI, onde quer que estejas!

terça-feira, setembro 21, 2010

Agradecimentos...





Passei por aqui para fazer uns agradecimentos muito especiais:



terça-feira, agosto 24, 2010

A vingança serve-se fria...




Se há coisa que me irrita é dizerem-me para esquecer algo que me magoou!
... à e tal deixa lá, esquece isso... não foi com intenção... etc...etc...
Foi com intenção sim!!! Magoaram-me descaradamente, com muita intenção e o pior ficaram felizes por isso!
Não perdoo!!! Nunca na vida!!!
Nem na hora da minha morte!!!
Porque fui exposta perante "amigos" de maneira cruel e mentirosa, porque tentaram sabotar as minhas amizades, levando as pessoas a questionarem a minha sanidade mental. Por incrivel que pareça, foi durante esta situação que descobri os meus verdadeiros amigos, aqueles que confiam em mim, e que me alertaram para o que se estava a passar!
Outros houve, os covardes, mas desses não reza a história, e nem me vou dar ao trabalho de falar disso.
Mas quem fez isto, não pense que está esquecido... O que é dela está guardado!!!
Aprendi a gerir as minhas emoções e a controlar a raiva, e vou cozinhando a minha vingança em lume brando para depois a servir bem fria num lindo frapê gelado.

Quem me achincalhou vai engolir cada palavra, cada insulto... Porque também existem trunfos deste lado e não são poucos... Nada como um dia atrás do outro... e um dia destes... SURPRESA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

sexta-feira, agosto 06, 2010

Desperdício




O problema de nos chatearmos com alguém com quem convivemos algum tempo para mim nem é o facto de deixar de falar com a pessoa.
Claro que há sempre aquela saudade e às vezes dou por mim com vontade de lhe contar qualquer coisa, que não dá para contar aos outros amigos porque tinha era a ver connosco ("sabias que o Thomas Newman também é o responsável pela banda sonora do Máquina Zero?"), mas depois penso “oh pá, não posso, estamos chateados”.
Mas como eu estava a dizer, isso não é grave.
Até porque se nos separamos de pessoas que não foram muito correctas connosco ou que não nos trataram assim tão bem, o afastamento até é algo bom.
O que me chateia mesmo é que tendo a pessoa sido tão estúpida faz com que me arrependa de tudo o que passei com ela, de tudo o que fiz, de todo o afecto e amizade que dei.
É que se tivesse acabado com uma conversa fixe ainda podia deixar boas lembranças, uma pessoa até se podia rir ao lembrar de certas coisas.
Mas acabou de maneira tão parva, que me chateou tanto que nem consigo ver coisas boas nisto tudo.
Foi um desperdício de tempo, de energia, de amizade. E é isso que me incomoda mesmo. Grrrrrr detesto arrepender-me!

quarta-feira, julho 28, 2010

Parabéns amiga querida!




A amizade é um dos sentimentos que mais me diz, que mais preservo e que mais respeito...Sou exigente quanto à escolha dos meus amigos...talvez por isso tenha poucos...mas bons!

Poucos amigos de infância, alguns colegas de trabalho que se tornaram parte da minha vida e curiosamente amigos que "encontrei" através deste fabuloso meio de comunicação que é e Internet...sinto que por algum motivo eles tinham mesmo que aparecer na minha vida...porque sem eles a minha existência seria mais pobre...citando um velho ditado "os amigos são a família que não podemos escolher...", eu não mudaria a minha família, talvez alguns traços da personalidade de alguns membros que a compõem...no entanto são essas mesmas particularidades que lhes conferem uma personalidade única...que nem sempre se cruza com a minha, mas...são família...já os amigos...esses escolhemos...

E eu escolhi a Ana Isabel:) Obrigada por teres aparecido na minha vida...obrigada por seres minha amiga...e desejo que continues a fazer parte dela por muitos e bons anos...partilhando, como até agora bons momentos e outros menos interessantes...








Hoje é o aniversário da minha melhor amiga e dedico-lhe este post com a alegria de a ter sempre presente na minha vida e de me ajudar a melhorá-la.
Que sejas feliz hoje e sempre a minha amiga.

Um beijo carinhoso e Feliz aniversário.

sexta-feira, julho 09, 2010

Amanhecer



Não existe nada mais sublime que assistir ao nascer do Sol, um ritual diário mas que poucas pessoas conhecem.
Aproveitei a falta de sono e subi um penedo, estava só, e naquele dia o magnifico cenário foi só meu.
Pouco a pouco, quase envergonhado o Sol ia dando ares da sua graça e quanto mais crescia no céu mais eu sentia o seu sorriso quente... Fechei os olhos e fiz a minha saudação ao astro rei e à vida...
O Sol avançava suavemente sobre a tela azul e os seus raios iam tocando o meu rosto suavemente e aquecendo o meu corpo, envolvendo-o numa bruma prazeroza como só a paixão e a paz podem proporcionar... Não ofereci resistência!
Com aquela paisagem e sensações jamais sentidas, levou-me a uma explosão total de emoções...

terça-feira, maio 25, 2010

Como saber se as pessoas são boas ou más!

Como vou saber distinguir pessoas do bem e do mal?

Se as pessoas do mal andam tão bem camufladas com sorrisinhos falsos, gestos bonitos e até uma excelente lábia (conversa).

As pessoas boas, onde estão?

Serão elas aquelas que, andam com a cara fechada, ou com a cabeça nas nuvens sonhando acordada?

Sinceramente não sei. Posso estar errada. Como pode haver um índice de acerto enorme.

Mas o que vale aqui no contexto, são as experiências vividas. Se eu já passei por tantas situações e consequentemente pessoas entre essas situações. Posso perfeitamente tirar minhas conclusões.






CUIDADO COM ROSTINHO SIMPÁTICO E O BOM SAMARITANO.

Como existem os falsos profetas, existem os seres humanos hipócritas.

E os conselhos de vida?

Se a pessoa te incomoda, ela não é gente boa, como conviver sem haver intrigas?

- O jeito é suportar. E para isso você terá que ser educada com ela e tratar bem ( isso que dizer que terei que dissimular? Ser falsa?) É o que manda nesse conselho.

Sei que:

NÃO CONSIGO SER DIFERENTE DO QUE SOU.

ARTE DE SER SIMPÁTICA COM QUEM NÃO MERECE, NÃO É COMIGO. NÃO CAI BEM.

Se me acham antipática, problema de quem achar. Pois os bons de coração, não vão pela aparência, e sim, pelas ações e bom espírito.

Sorrisos falsos e rostinhos bonitos, não fazem meu tipo. Prefiro pessoas BOAS, com conteúdo bom, com idéias promissoras, lealdade e sabedoria.

Existem muitos lobos em pele de cordeiro por aí. Cuidado!





Ou você é do tipo que vê flores em todo mundo? Que bobagem.

Como existem médicos bons, existem médicos loucos, assassinos, pedófilos, traficantes e psicopatas. Como também, advogados, os bonitos, os desempregados, os gordos, os feios...

Gente que atua em qualquer área nessa vida.

Existem as boas e as más...

Será que você sabe separar o joio do trigo?

EU APRENDI. AGORA EU SEI.

(Retirado do blog da Pitanga)

quarta-feira, maio 12, 2010

Saudades...




Preciso alterar a minha vida porque sinto saudades de mim.
Sinto falta de acordar a cantar, do meu sorriso generoso...
Agora tenho medo de despertar, tenho receio dos meus pensamentos, da velha música que cantava a sorrir e agora sai em tom de desespero.
A minha alegria perdeu-se...
Não a consigo encontrar...
Desapareceu!...
Tenho saudades do que fui, do que sonhei!
As palavras já não querem sair, e neste momento já não fazem qualquer sentido...
Resta-me escrever aqui, deixar impresso os meus sentimentos, tão confusos quanto o meu futuro...
As lágrimas secaram na fonte!
Já não sou quem fui!
Aquela... A outra que eu fui um dia já morreu!
Tenho tantas saudades do que vivi, de quando a minha vida era um mar de emoções e onde as gargalhadas soavam livres!
Tenho tantas saudades de mim...
Será que um dia eu me encontro...?

segunda-feira, maio 10, 2010

Tempo




O tempo passa tão depressa e leva com ele a vida, que vai enfraquecendo a cada hora, até que um dia desaparecerá de vez!
E com ela a nossa existência também passará...
Reparei que já passaram tantos anos , meses, dias, horas...
Foram muitos os momentos de alegria misturados com muita tristeza e dor.
Mas em mim ficarão para sempre as pessoas com quem estive um dia e com as quais partilhei alegrias e tristezas, arrependimentos e mágoas, gargalhadas e lágrimas...
Mas no coração guardarei a dor que senti um dia do mal que me fizeram, intencionalmente... ou não!
Chegará a altura em que os arrependimentos serão tardios, e as mágoas quando marcam jamais serão esquecidas!

sexta-feira, abril 30, 2010

Decepção




RecadosOnline - Faça o inusitado! Envie recados de Decepção!




Quantas vezes a decepção me obriga a deixar de acreditar no que julgava estar certo, impedindo-me de sonhar e destruindo-me por dentro...
Quantas vezes ofereci uma flor e recebi espinhos...
Já dei um sorriso sincero e devolveram-me um sorriso irónico.
Tantas vezes tentei expressar confiança e tive de volta muito desprezo.
Por vezes baixei a cabeça para não julgar, e mesmo assim fui condenada.
Já ofereci afecto e recebi insultos.
Já ofereci o meu coração e nele só entrou ingratidão!
Quantas vezes incentivei para logo a seguir ser desencorajada...
Já fui considerada ninguém... E senti-me desfalecer angustiada, como se fosse empurrada para o abismo destruindo tudo à minha volta.
Já pensei que conhecer alguém que... afinal não conhecia.
Já pensei que estava ao lado de alguém, mas afinal estava longe!
Já tive amigos que não passavam de conhecidos, pensei ter companheirismo, mas tudo não passava de mentiras.
Quantas vezes tentei dar alegria e acabei por ter uma decepção.
Mas estas decepções fortalecem-nos com o tempo e fazem-nos encarar a vida de uma forma totalmente diferente...

terça-feira, abril 27, 2010

Dados...





Lançaste os dados...
Ganhaste alguma coisa?...
Sinceramente espero que tenha valido a pena!...

....duvido....

sexta-feira, abril 23, 2010

Filmes & Enredos...





Quando as gravações estavam no auge, retirei-me de cena e deixei o protagonismo para quem dele precisa para viver…
A minha retirada foi estratégica…
Fiquei como espectadora de uma cena que também era minha, e delicio-me com as confusões das personagens…
Aqui nos bastidores consigo decifrar melhor o vilão do herói neste enredo quase hollywoodesco.
Os diálogos sucedem-se… suaves e disciplinados como sugeria o guião, mas de quando em vez o protagonista perde-se nas deixas, esquece o texto e improvisa…
E é no desespero do improviso que a máscara cai e dá a conhecer um pouco a sua verdadeira personalidade, aquela que quase ninguém conhece!
Divirto-me com as suas gafes que ninguém parece notar!
O seu altivo desempenho é digno da estatueta dourada, quanto aos outros, apenas se limitam a dizer o texto previamente estudado (a estes não lhes é dado o direito de improvisar para não ofuscar a estrela) são os chamados figurantes, pensam que fazem parte desta história, mas são meros fantoches nas mãos manipuladoras da personagem principal.
Eu já fiz parte deste elenco, fui durante muito tempo um mero figurante…
Hoje sou apenas espectadora deste filme medíocre e egocêntrico!
Tornei-me a personagem principal do filme da minha vida.

quarta-feira, março 31, 2010

Só eu e a Lua...




Sentada na praia, fixo o horizonte...
E assisto uma vez mais ao triste ritual, de ver o Sol esconder-se, e a Lua a aparecer...
Os eternos amantes, nunca se encontram...
Sinto-me invadir por um sentimento que não sei explicar...
Fico triste, por ela, por mim...
Mas admiro a sua coragem em brilhar todas as noites, mesmo tendo-lhe sido retirado o direito de amar!
Invejo o seu brilho, a sua alegria, a sua magestade...
Queria tanto ser como ela...
E não estar aqui sentada, a esperar por ti...
Perdi a conta ao tempo que espero por ti em vão, parece que foi ontem que partiste...
Mas pode ter sido há 10 anos, 1 ano, 1 mês... Não sei!
Sei que a espera é inútil, que não vens, mas gosto de olhar a Lua, o mar, o movimento das ondas...
Hoje a inspiração não chega e deixo caír o bloco e a caneta!
Fecho os olhos e respiro fundo!
O ar meio salgado, invade os meus pulmões, e enebria-me a alma...
Imagino tuas mãos a tocarem minha pele, num jeito meio atrevido... só teu!
Deixo-me levar por esse sentir imaginário... e deixo-te explorar cada canto do meu corpo carente de ti...
Encosto-me na areia, sinto o calor do teu corpo, consigo escutar o pulsar do teu coração...
E, ali, naquela praia deserta, tendo somente a Lua como testemunha, eu entrego-me a um amor feito de fantasia e sonhos!
Abro os olhos, e a Lua está mesmo por cima de mim...
Olha-me com tristeza...
Duas lágrimas quentes, escorrem pelo canto dos meus olhos cansados, e caem sem vida na areia fria...
Esta noite, o bloco volta volta em branco para casa...
Faltou inspiração...
Sobrou sentimento...

terça-feira, março 23, 2010

Decepção...

Eu sei...
Nada disto foi novidade para mim... Eu sabia...
Mas dói demais...



sexta-feira, março 19, 2010

Pai






Ter um Pai ! É ter na vida
Uma luz por entre escolhos ;
É ter dois olhos no mundo
Que vêem pelos nossos olhos !

Ter um Pai ! Um coração
Que apenas amor encerra,
É ver Deus, no mundo vil,
É ter os céus cá na terra !

Ter um Pai ! Nunca se perde
Aquela santa afeição,
Sempre a mesma, quer o filho
Seja um santo ou um ladrão ;

Talvez maior, sendo infame
O filho que é desprezado
Pelo mundo ; pois um Pai
Perdoa ao mais desgraçado !

Ter um Pai ! Um santo orgulho
Pró coração que lhe quer
Um orgulho que não cabe
Num coração de mulher !

Embora ele seja imenso
Vogando pelo ideal,
O coração que me deste
Ó Pai bondoso é leal !

Ter um Pai ! Doce poema
Dum sonho bendito e santo
Nestas letras pequeninas,
Astros dum céu todo encanto !

Ter um Pai ! Os órfãozinhos
Não conhecem este amor !
Por mo fazer conhecer,
Bendito seja o Senhor !



FLORBELA ESPANCA

(Infelizmente já perdi o meu pai! Que falta me faz... Quem ainda, o tem saiba dar-lhe aquilo que merece. Muito amor! Foi isso que também , para além de valores, ele nos deu! )

quinta-feira, março 11, 2010

Carta




Lembro-me dos teus olhos cor de mar, (dizias que era por viveres perto do oceano) do teu sorriso aberto, mas lembro-me principalmente do teu olhar, aquele onde escondias todos os sonhos do teu mundo.
E o mundo era o teu grande sonho!
Falavas dele como se o conhecesses, mas nunca tinhas saído da vila onde morávamos, mas os jornais mostravam uma realidade que tu querias fosse a tua…
E de olhar perdido no horizonte, falavas-me que um dia serias um grande jornalista, um contador de estórias, um escritor de sonhos…
No fundo eu sabia que um dia te perderia para uma qualquer página de um daqueles jornais que tão avidamente sorvias com o olhar…
Aquele olhar de menino rebelde que eu tanto amava.
Ainda sinto o calor dos teus lábios a limpar-me as lágrimas depois de um qualquer desgosto adolescente, e prometias-me o mundo…
Mas a vida encarregou-se de matar todas as promessas.
E um dia… partiste!
Levaste a mochila cheia de sonhos e deixaste um coração vazio de promessas!
Penso sempre em ti, onde estarás agora… quantos olhares já cativaste com o teu sorriso!
A nossa árvore ainda existe, o velho carvalho que nos acolhia ao fim da tarde ainda guarda as nossas iniciais que tu esculpiste como símbolo do nosso amor, as letras estão desgastadas pelo tempo, tal como eu…
Ainda passo por lá de vez em quando na esperança de te encontrar um dia…
Imagino se ainda te lembrarás de mim… Se tal como eu sentes saudade de tudo o que o velho carvalho representava para nós…
Leio cada reportagem tua, na expectativa de me encontrar nas entrelinhas…
Procuro a tua saudade a cada palavra que escreves… Mas só falas em guerra, fome, catástrofes e morte…
Suponho que ainda terás os olhos cor do mar, embora vivas longe do oceano, e que o teu sorriso ainda fará palpitar corações…
Hoje olho-te à distância de um passado que o tempo teima em não deixar esquecer…

terça-feira, março 02, 2010




Só aqui me sinto bem...
Sentada numa velha cadeira num sotão abandonado!
Vivo na sombra, ignoro meu nome, mas não esqueço a humilhação.
Aprendi a reerguer-me sempre a que vida me trapaceia.
Deito-me em lençóis de amargura e durmo com a tristeza, a mágoa e a desilusão...
Alimento a alma com a revolta acumulada, e as lágrimas que não choro ajudam a hidratar a vingança...
A desconfiança está sempre a meu lado não deixando que intrusos nos invadam.
Do alto desta porta vejo as aves voarem livremente, a cobiça chega e faz-me desejar ser como elas... Mas o medo estava à espreita e aconselha-me a permanecer sentada.
Enterro as unhas nas palmas das mãos, mastigo a raiva misturada com lágrimas e faço um nó de sentimentos na garganta que teimo em não engolir... Quero-os aqui... Sempre presentes...
O meu peito é invadido por uma dor fria... O meu coração congelou!
Limita-se a fazer a sua função... bater!
Os meus olhos perderam a capacidade de ver, e os lábios cerrados protegem o sorriso e não deixam saír qualquer som...
Vivo na sombra... O Sol incomoda-me...
Esqueci quem sou...
Alguém lembrará?...

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Sem ti



O caminho parece mais longo do que o habitual, talvez seja a ânsia de estar num lugar calmo, onde por entre silêncios profundos, me confesso...
Olho a paisagem, e vejo que estou a chegar...
Continuo com o olhar fixo, na esperança de que tenha aparecido algo novo, desde a última vez que aqui estive...
Mas não!
Está tudo igual...
Percorro as ruas estreitas, onde as cabanas, parecem ter-se erguido do nada...
Olho com atenção, para aquelas pessoas... Sinto magia no ar!
O que vejo é uma obra prima da natureza...
Continuo a minha caminhada, e chego finalmente ao meu destino!
Galgo as dunas, e sento-me á beira-mar!...
E, aí, desligada de tudo e ligada a nada, penso na minha vida, lembro-me de ti, e... contemplo o horizonte...
Sinto a brisa suave no meu rosto...
Imagino-te, no doce balançar das ondas, no calor da areia sob minhas pernas...
E a tua presença parece tão real...
Tenho nos lábios um leve sabor salgado, mas não é da proximidade com o mar...
Não!
É o sabor da mágoa... O sabor da tua ausência...
Em jeito de despedida, o vento sopra cada vez mais forte, mas o que me diz, não é um "Adeus", mas um "Até sempre"...
E, eu lá voltarei num outro dia...
Numa outra hora...
Numa outra vida...
Mas sempre com o mesmo sentimento!...

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Os meus caminhos!



Vagueio sem destino, perdida nesta estranha estrada chamada presente, sofrendo tento descobrir o caminho que me levará ao passado, preciso encontrar o desvio onde me perdi, deixei o meu "eu" abandonado e agora preciso resgatá-lo para dar vida a esta imagem que sou... E enfrentar a auto-estrada do futuro...
Passo cabisbaixa pela multidão tentando recordar-me o que aconteceu.
Terá sido a doença quase fatal que me cravou as suas garras na Primavera de 1999?
Ou a morte inesperada do meu pai na Primavera de 2000?
Terão sido as lágrimas contidas que me enevoaram a alma fazendo-me perder o rumo?
Ou a tristeza guardada num coração já moribundo...
..................

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Morri-te...


Hoje morreste-me!
Perdi-te algures entre a distância que separa o coração da alma.
Tornaste-te inexistente em mim, só o frio restou... o nada do pouco que havia.
O teu sorriso e as minhas lágrimas diluíram-se em água ... O teu olhar pertence a outra!
Perdi o corpo jamais tocado, o beijo tão desejado, o abraço reconfortante!
Morreste-me!
Mas renasceste para outro alguém... que aos poucos me roubou o teu sorriso, o teu abraço, o teu beijo...
Conquistou-te, e deu-me o poder de sentir desilusão, dor, angústia, solidão...
Perdi-te... Mas nunca te ganhei!
Perdi de conhecer o calor do teu corpo, sentir o teu desejo...
Perdi-te nas noites de insónias, desapareceste entre os acordes das minhas músicas... Ou seriam nossas?
Nunca tentaste perceber o meu olhar, nunca decifraste as minhas palavras, nunca entendeste o meu sorriso, nem olhaste para dentro dos meus olhos... Tanto amor existia em mim...
Ficou o sonho, a ilusão, o vazio entre nós.
Uma realidade nunca assumida... Mas conhecida!
A ausência de tudo o que não existiu, no nada que persistiu!
Perdeste-me!
Morri-te!...

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Quase tudo...


Quero…

Uma música de Liszt

Uma pintura de Chagall

Um piano preto

Um violino branco

Um vestido transparente

Uma aguarela de sossego

Um céu pleno

Uma lua branca

Uma nuvem lilás

Uma estrela amarela

Um mar azul

Um beijo vermelho

E a palavra amo-te num envelope fechado

Colado com amor invisível.



Não é pedir muito... é um quase nada de tudo.

quinta-feira, janeiro 07, 2010


Há dias assim.
Terríveis...
Dias que não chegam ao fim e quando chegam, parece que ainda nem começaram.
A cabeça num rodopio, os nervos miudinhos a aflorarem a pele.
Dias como o de hoje em que só queria...
Não sei. Nem sequer sei o que queria.
Talvez que tudo ficasse suspenso.
Como os jardins da Babilónia em jeito de maravilha.
Como quando em crianças inspiramos muito antes de mergulhar e nem sabemos o que aconteceu, como se não existíssemos lá em baixo.
Apenas sabemos que estivemos debaixo de água quando os olhos aflitos e a respiração a encher de rompante os pulmões, quando já à tona de água.
Como um inspirar de vida e depois, nada.
Ir ali só para morrer um bocadinho e depois voltar.
Sabes como é?
Talvez que o mundo parasse.
O relógio ficasse quieto, que ao meu redor tudo ficasse mudo.
Para não ouvir.
Para não sentir.
Para não falar.
Para não pensar.
Não sorrir.
Não amar.
Nada.
Ficar encolhida num canto sem medo de nada porque nada mexe, nada avança, nada existe.
Quieta apenas.
Dias em que pudesse por momentos, não viverem.
Hoje, não me apetece viver.
Sem que isso signifique morrer ou querer morrer.
Deve soar-te estranho.
Mas hoje, nem sequer quero explicar...