Certa madrugada fria irei de cabelos soltos ver como crescem os lírios. Quero saber como crescem simples, belos e perfeitos!Ao abandono nos campos...

quarta-feira, março 31, 2010

Só eu e a Lua...




Sentada na praia, fixo o horizonte...
E assisto uma vez mais ao triste ritual, de ver o Sol esconder-se, e a Lua a aparecer...
Os eternos amantes, nunca se encontram...
Sinto-me invadir por um sentimento que não sei explicar...
Fico triste, por ela, por mim...
Mas admiro a sua coragem em brilhar todas as noites, mesmo tendo-lhe sido retirado o direito de amar!
Invejo o seu brilho, a sua alegria, a sua magestade...
Queria tanto ser como ela...
E não estar aqui sentada, a esperar por ti...
Perdi a conta ao tempo que espero por ti em vão, parece que foi ontem que partiste...
Mas pode ter sido há 10 anos, 1 ano, 1 mês... Não sei!
Sei que a espera é inútil, que não vens, mas gosto de olhar a Lua, o mar, o movimento das ondas...
Hoje a inspiração não chega e deixo caír o bloco e a caneta!
Fecho os olhos e respiro fundo!
O ar meio salgado, invade os meus pulmões, e enebria-me a alma...
Imagino tuas mãos a tocarem minha pele, num jeito meio atrevido... só teu!
Deixo-me levar por esse sentir imaginário... e deixo-te explorar cada canto do meu corpo carente de ti...
Encosto-me na areia, sinto o calor do teu corpo, consigo escutar o pulsar do teu coração...
E, ali, naquela praia deserta, tendo somente a Lua como testemunha, eu entrego-me a um amor feito de fantasia e sonhos!
Abro os olhos, e a Lua está mesmo por cima de mim...
Olha-me com tristeza...
Duas lágrimas quentes, escorrem pelo canto dos meus olhos cansados, e caem sem vida na areia fria...
Esta noite, o bloco volta volta em branco para casa...
Faltou inspiração...
Sobrou sentimento...

terça-feira, março 23, 2010

Decepção...

Eu sei...
Nada disto foi novidade para mim... Eu sabia...
Mas dói demais...



sexta-feira, março 19, 2010

Pai






Ter um Pai ! É ter na vida
Uma luz por entre escolhos ;
É ter dois olhos no mundo
Que vêem pelos nossos olhos !

Ter um Pai ! Um coração
Que apenas amor encerra,
É ver Deus, no mundo vil,
É ter os céus cá na terra !

Ter um Pai ! Nunca se perde
Aquela santa afeição,
Sempre a mesma, quer o filho
Seja um santo ou um ladrão ;

Talvez maior, sendo infame
O filho que é desprezado
Pelo mundo ; pois um Pai
Perdoa ao mais desgraçado !

Ter um Pai ! Um santo orgulho
Pró coração que lhe quer
Um orgulho que não cabe
Num coração de mulher !

Embora ele seja imenso
Vogando pelo ideal,
O coração que me deste
Ó Pai bondoso é leal !

Ter um Pai ! Doce poema
Dum sonho bendito e santo
Nestas letras pequeninas,
Astros dum céu todo encanto !

Ter um Pai ! Os órfãozinhos
Não conhecem este amor !
Por mo fazer conhecer,
Bendito seja o Senhor !



FLORBELA ESPANCA

(Infelizmente já perdi o meu pai! Que falta me faz... Quem ainda, o tem saiba dar-lhe aquilo que merece. Muito amor! Foi isso que também , para além de valores, ele nos deu! )

quinta-feira, março 11, 2010

Carta




Lembro-me dos teus olhos cor de mar, (dizias que era por viveres perto do oceano) do teu sorriso aberto, mas lembro-me principalmente do teu olhar, aquele onde escondias todos os sonhos do teu mundo.
E o mundo era o teu grande sonho!
Falavas dele como se o conhecesses, mas nunca tinhas saído da vila onde morávamos, mas os jornais mostravam uma realidade que tu querias fosse a tua…
E de olhar perdido no horizonte, falavas-me que um dia serias um grande jornalista, um contador de estórias, um escritor de sonhos…
No fundo eu sabia que um dia te perderia para uma qualquer página de um daqueles jornais que tão avidamente sorvias com o olhar…
Aquele olhar de menino rebelde que eu tanto amava.
Ainda sinto o calor dos teus lábios a limpar-me as lágrimas depois de um qualquer desgosto adolescente, e prometias-me o mundo…
Mas a vida encarregou-se de matar todas as promessas.
E um dia… partiste!
Levaste a mochila cheia de sonhos e deixaste um coração vazio de promessas!
Penso sempre em ti, onde estarás agora… quantos olhares já cativaste com o teu sorriso!
A nossa árvore ainda existe, o velho carvalho que nos acolhia ao fim da tarde ainda guarda as nossas iniciais que tu esculpiste como símbolo do nosso amor, as letras estão desgastadas pelo tempo, tal como eu…
Ainda passo por lá de vez em quando na esperança de te encontrar um dia…
Imagino se ainda te lembrarás de mim… Se tal como eu sentes saudade de tudo o que o velho carvalho representava para nós…
Leio cada reportagem tua, na expectativa de me encontrar nas entrelinhas…
Procuro a tua saudade a cada palavra que escreves… Mas só falas em guerra, fome, catástrofes e morte…
Suponho que ainda terás os olhos cor do mar, embora vivas longe do oceano, e que o teu sorriso ainda fará palpitar corações…
Hoje olho-te à distância de um passado que o tempo teima em não deixar esquecer…

terça-feira, março 02, 2010




Só aqui me sinto bem...
Sentada numa velha cadeira num sotão abandonado!
Vivo na sombra, ignoro meu nome, mas não esqueço a humilhação.
Aprendi a reerguer-me sempre a que vida me trapaceia.
Deito-me em lençóis de amargura e durmo com a tristeza, a mágoa e a desilusão...
Alimento a alma com a revolta acumulada, e as lágrimas que não choro ajudam a hidratar a vingança...
A desconfiança está sempre a meu lado não deixando que intrusos nos invadam.
Do alto desta porta vejo as aves voarem livremente, a cobiça chega e faz-me desejar ser como elas... Mas o medo estava à espreita e aconselha-me a permanecer sentada.
Enterro as unhas nas palmas das mãos, mastigo a raiva misturada com lágrimas e faço um nó de sentimentos na garganta que teimo em não engolir... Quero-os aqui... Sempre presentes...
O meu peito é invadido por uma dor fria... O meu coração congelou!
Limita-se a fazer a sua função... bater!
Os meus olhos perderam a capacidade de ver, e os lábios cerrados protegem o sorriso e não deixam saír qualquer som...
Vivo na sombra... O Sol incomoda-me...
Esqueci quem sou...
Alguém lembrará?...