
O dia acordou cinzento, por mais que tente não consigo evitar a melancolia que a falta de sol me provoca!
É como se as nuvens tivessem o poder de sugar a minha alegria, para depois a espalhar por aí, em forma de chuva...
Pela janela entreaberta vejo as ruas vestidas de folhas douradas, anunciando-me a chegada do Outono.
Na rua, a brisa morna acolhe-me com cheiro a maresia.
Desço a avenida que me leva até à praia, sento-me num banco agora vazio de sonhos de verão.
Fixo a linha do horizonte!
Ouço o som das ondas na areia fina, sinto o cheiro das algas misturado com o do peixe, no céu as gaivotas movimentam-se em círculos perfeitos...
Mas o meu olhar continua preso naquela linha que separa o mar do céu, tão ténue como a linha da minha vida...
O vento provoca o mar, e as ondas vingam-se nas rochas mas elas mantêm-se firmes!
Eu já fui assim...
Forte!
Já enfrentei tempestades, já nadei em mares revoltos, já perdi o Norte, mas encontrei sempre o meu Sul...
Já estive frente a frente com a morte e amedrontei-a com o meu sorriso.
Ergo-me e percorro o caminho de volta, olho uma vez mais para o banco de jardim.
Fica só... como eu!
Á espera de mais promessas de verão...
Como eu...