
Sentada no rochedo, olho o mar...
Esta rotina, repete-se dia, após dia, sempre ao entardecer!
Gosto de ver o Sol esconder-se, e a deixar reinar a Lua...
Adoro ver o momento em que os dois se encontram, e imagino que por breves segundos, juram amor eterno...
Desde menina, que eu imagino que o Sol tem um amor platónico, pela Lua. E até tinha arranjado, um motivo, por Deus os ter separado... Talvez, tivessem desafiado e Todo Poderoso, e Ele, tinha-os separado para sempre...
Mas isto claro, eram ilusões de menina...
Depois, os cientistas, destruiram a minha ilusão...
Mas não deixa de ser um espectáculo único... E, eu não me canso de olhar...
Com as pernas dobradas e os braços a rodeá-las, pouso o rosto, nos joelhos e fixo o horizonte.
O mar... a linha ténue, que o separa do céu.
O movimento sensual das ondas...
Tudo isto me fascina, me emociona e me deslumbra!
Ali, naquela praia deserta, embora esteja só, não sinto a solidão...
Desço do rochedo, e descalça, começo a andar pela praia.
Deixo o mar tocar-me! Suavemente... Como se me pedisse permissão, para me acarinhar!
E, eu deixo.
Conto-lhe os meus segredos... As minhas desilusões... Frustações... Sonhos!
Ele ouve-me!
Eu sei que ele me ouve...
E também sei, que ele vai lá estar sempre para me ouvir!
Para me acariciar os pés, com a sua água morna...
Para me limpar as lágrimas, com a sua água salgada...
Sento-me na areia molhada, e fixo o infinito...
Que se esconde por detrás daquela linha??
Países distantes, que nunca vou conhecer...
Será que tu vives em algum deles??
Deixo-me levar pelo som que as ondas fazem ao tocar na areia, e deito-me...
A água chega até mim... então, tenho a sensação que o mar, me diz sussurrando:
" Ele vai voltar!"
Será que foi ilusão??
Levanto-me, e corro para casa...
Mas, em vão...
Não estavas lá... não tinhas voltado!
Talvez amanhã...
Amanhã, vou voltar a sentar-me no rochedo...
Será que existe amanhã para nós?...
Será?...